A busca por alternativas para tornar o comércio entre os países do BRICS mais simples não representa, na visão do governo brasileiro, uma ofensiva contra o dólar.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que as discussões atuais estão concentradas na redução de custos e na criação de mecanismos mais eficientes para pagamentos internacionais.
Em entrevista ao jornal The Straits Times durante passagem por Singapura, Vieira rejeitou a interpretação de que o grupo esteja preparando uma moeda comum ou adotando uma política formal de desdolarização.
Segundo o chanceler, a proposta é permitir que os países tenham liberdade para escolher a moeda mais conveniente em cada negociação. As operações poderiam utilizar moedas nacionais, dólar, euro ou outras formas de pagamento definidas entre as partes.
A ideia, de acordo com Vieira, é desenvolver mecanismos voluntários capazes de reduzir intermediários, custos financeiros e tempo de processamento nas transações comerciais entre os integrantes do bloco.
Pix é citado como referência
Ao falar sobre possíveis soluções tecnológicas, Mauro Vieira destacou o Pix como exemplo de sistema que combina rapidez e baixo custo.
A experiência brasileira, assim como sistemas digitais desenvolvidos em outros países, poderia servir de inspiração para uma futura integração de meios de pagamento internacionais, sem que isso obrigue os integrantes do BRICS a abandonar moedas atualmente utilizadas no comércio exterior.
A Índia, que preside o BRICS em 2026, também discute formas de aumentar a conexão entre sistemas financeiros e moedas digitais emitidas por bancos centrais. O objetivo apresentado é facilitar pagamentos transfronteiriços, embora a iniciativa ainda enfrente obstáculos técnicos e políticos.
Tema estará na Cúpula do BRICS
As discussões sobre integração financeira estarão no radar da 18ª Cúpula do BRICS, marcada para os dias 12 e 13 de setembro, em Nova Délhi.
O encontro reunirá representantes dos países membros e parceiros para discutir cooperação econômica, política e financeira, além de temas internacionais. A Índia exerce a presidência rotativa do grupo neste ano.
Mauro Vieira representará o Brasil na cúpula.
BRICS não deve ser visto como bloco anti-Ocidente, diz Vieira
Na mesma entrevista, o chanceler brasileiro também contestou a caracterização do BRICS como uma aliança construída para enfrentar países ocidentais.
Vieira afirmou que o Brasil procura manter autonomia em sua política externa e defende mudanças na estrutura de organismos internacionais para ampliar a representação das economias emergentes e dos países em desenvolvimento.
Antes da reunião na Índia, o ministro cumpriu compromissos diplomáticos na Ásia, incluindo agendas em Singapura e na Tailândia, dentro da estratégia brasileira de ampliar relações políticas e comerciais na região.
Para o governo brasileiro, portanto, o avanço de novos meios de pagamento dentro do BRICS deve ser entendido como uma tentativa de diversificar opções e facilitar o comércio, e não como a criação imediata de uma moeda concorrente ao dólar.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











