O Banco Central do Brasil já tinha conhecimento, desde março de 2025, de que carteiras de crédito negociadas pelo Banco Master apresentavam inconsistências e não possuíam lastro adequado. A informação foi confirmada em depoimento do diretor de Fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino, prestado à Polícia Federal e divulgado pelo portal Metrópoles.
Segundo o depoimento, apesar de o problema ter sido detectado meses antes, a liquidação extrajudicial da instituição ocorreu somente em 18 de novembro de 2025, mesma data em que foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero. Aquino afirmou ainda que as perdas relacionadas às operações podem causar impacto bilionário ao Banco de Brasília, que adquiriu parte dessas carteiras.
De acordo com o diretor do BC, já foi identificado um provisionamento necessário de R$ 2,6 bilhões para cobrir prejuízos, mas análises indicam que o valor pode aumentar em mais R$ 2,2 bilhões. O montante final dependerá da qualidade dos ativos recebidos pelo BRB como compensação pelas carteiras consideradas problemáticas.
Entre os ativos usados na tentativa de compensação estariam fundos compostos por ações desvalorizadas, créditos inadimplentes e imóveis de baixa liquidez associados a empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo o BRB, dos R$ 12,2 bilhões negociados, aproximadamente R$ 10 bilhões teriam sido liquidados ou substituídos antes da intervenção.
O depoimento também aponta que, após questionamentos do regulador, o BRB passou a detalhar suas operações ao Banco Central e anunciou, em junho daquele ano, medidas para internalizar ativos do Master como forma de compensação.
Durante a investigação, a Polícia Federal apreendeu ainda uma agenda atribuída à então diretora de Controle e Riscos do banco, Luana de Andrade Ribeiro, contendo registros de reuniões de 2024. Em uma das anotações aparece a informação de que seria necessário manter compras de carteiras para evitar um colapso da instituição. O ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, negou posteriormente que a intenção fosse salvar o Banco Master.
Aquino também declarou que não sofreu pressões políticas para adiar a liquidação da instituição. Dependendo do valor final das perdas apuradas, o governo do Distrito Federal, controlador do BRB, poderá ser obrigado a injetar capital na instituição para equilibrar suas contas.
O caso segue em apuração e os depoimentos tramitam sob sigilo no Supremo Tribunal Federal.
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