Três décadas após marcar o início da chamada retomada do cinema brasileiro, “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil” retorna aos cinemas em versão remasterizada em 4K. O clássico de Carla Camurati voltou às telonas na quinta-feira (14), com exibições em Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Niterói, Porto Alegre, Belém e São Luís.
Lançado originalmente em 1995, o filme mistura sátira e fatos históricos para contar a trajetória de Carlota Joaquina, princesa espanhola prometida ainda criança ao príncipe português Dom João, que mais tarde se tornaria Dom João VI. A narrativa se desenrola entre o final do século 18 e início do século 19, destacando a fuga da Corte Portuguesa para o Brasil, diante da ameaça napoleônica, e a chegada da família real ao Rio de Janeiro, evento que alteraria profundamente os rumos da história brasileira.
O papel-título é vivido na infância por Ludmila Dayer e, na fase adulta, por Marieta Severo. O elenco ainda traz nomes de peso como Marco Nanini (Dom João VI), Marcos Palmeira (Dom Pedro I) e Vera Holtz (Maria Luísa de Parma).
Sucesso de público, o longa permaneceu quase um ano em cartaz, alcançando a marca de 1 milhão de espectadores. O filme marcou a estreia de Carla Camurati na direção, com roteiro assinado por ela e Melanie Dimantas.
Em entrevista à Agência Brasil, Carla comemora o relançamento em um momento emblemático para o audiovisual brasileiro, destacando o avanço técnico e a força da produção nacional. Ela ressalta a importância de se manter filmes em cartaz nos cinemas, mesmo com a força do streaming.
“A experiência coletiva do cinema é insubstituível. Carlota foi restaurado com muito cuidado, com som e imagem aprimorados, e essa nova exibição é um presente para quem já viu e uma oportunidade para novas gerações”, afirma a diretora.
A pré-estreia no Rio de Janeiro reuniu elenco e equipe, que celebraram o retorno do filme e se emocionaram ao rever o trabalho em tela grande. Segundo Carla, o relançamento mostra que o filme se mantém atual graças ao seu recorte histórico, à linguagem inovadora e ao tom irônico que ainda ressoam com o público contemporâneo.
“O cinema brasileiro vive um momento potente, e é simbólico ver o Carlota Joaquina voltar justamente agora. Ele mistura fantasia com história e mantém uma narrativa brasileira autêntica”, conclui.
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