Começa nesta quinta-feira (2), no Rio de Janeiro, a 27ª edição do Festival do Rio, um dos mais tradicionais e influentes eventos do cinema nacional. A programação deste ano traz 300 títulos entre curtas e longas-metragens, com exibições em mais de 20 salas da capital fluminense.
O festival acontece em um ano marcante para o cinema brasileiro, que acumulou conquistas em premiações como o Globo de Ouro, o Oscar e o Festival de Cannes. Refletindo esse momento de prestígio, a edição de 2025 apresenta 120 produções brasileiras, muitas delas inéditas nas salas comerciais.
Além das produções nacionais, o Festival do Rio exibe 180 filmes internacionais em mostras como Panorama Mundial, Expectativa, Itinerários Únicos e Midnight Movies, reunindo obras que se destacaram em grandes festivais do circuito internacional.
Fernanda Abreu estreia como cineasta com “Da Lata 30 Anos”
Uma das estreias mais esperadas é o documentário “Da Lata 30 Anos”, que marca a estreia da cantora Fernanda Abreu como diretora no audiovisual. O filme resgata o impacto cultural do álbum Da Lata, lançado em 1995, com registros inéditos da época e depoimentos de artistas que participaram do projeto.
“Essa ideia nasceu do acervo do diretor Paulo Severo, que registrou tudo: gravações no Rio e em Londres, making of, shows e clipes. Juntamos esse material com mais de 30 depoimentos”, contou Fernanda em entrevista à Agência Brasil.
Participam do documentário nomes como Herbert Vianna, Lenine, Pedro Luís, Hermano Vianna, Charles Gavan e muitos músicos e produtores que ajudaram a moldar a sonoridade do disco — uma mistura inovadora de samba, funk carioca e música pop.
A cantora também lança um livro de arte com imagens do fotógrafo Walter Carvalho, textos inéditos e memorabilia da época, além de uma edição em vinil do álbum. “É um mergulho profundo naquele universo cultural do Brasil e do Rio em 1995”, destaca.
Funk carioca, inovação e resistência
Segundo Fernanda, o Da Lata continua atual, especialmente por ter sido um dos primeiros álbuns a trazer o funk carioca para o centro da música pop brasileira.
“Naquela época, o funk era marginalizado. Fui aos bailes e fiquei fascinada. Tive certeza de que aquilo teria um impacto enorme. Hoje temos Anitta e Ludmilla, mas o preconceito persiste, principalmente vindo das elites”, comenta.
Para ela, o funk representa a verdadeira cara do Brasil, unindo o asfalto e a favela em uma estética que dialoga com a identidade nacional. “A cultura popular precisa ser reconhecida como legítima. Sem isso, não há representatividade real”, afirma.
Rio Market e impacto econômico
Além das exibições, o festival conta com o Rio Market, um dos maiores mercados do audiovisual da América Latina, que promove debates, rodadas de negócios e conexões entre produtores, distribuidores e exibidores.
O Festival do Rio segue até o próximo dia 12 de outubro, com sessões abertas ao público, estreias aguardadas e uma seleção que valoriza tanto o cinema independente quanto as grandes produções internacionais.
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