As fortes chuvas que atingem parte do Rio Grande do Sul desde o último fim de semana já causaram ao menos duas mortes, deixaram uma pessoa desaparecida e forçaram mais de 2 mil moradores a abandonarem suas casas. Segundo a Defesa Civil estadual, até esta quarta-feira (18), 1.336 pessoas estavam desalojadas — acolhidas por parentes ou amigos — e cerca de 1 mil estavam em abrigos públicos ou assistenciais.
Vítimas em Candelária e Nova Petrópolis
Em Candelária, no Vale do Rio Pardo, Geneci da Rosa, de 54 anos, perdeu a vida quando o carro em que estava foi levado pela correnteza ao atravessar uma ponte. Seu marido, de 65 anos, que também estava no veículo, segue desaparecido. O corpo de Geneci foi encontrado na manhã de terça-feira (17) pelo Corpo de Bombeiros.
Na Serra Gaúcha, Mário César Trielweiler Gonçalves, de 22 anos, morreu após seu carro ser arrastado pelas águas do Rio Caí. O acidente ocorreu na ponte que liga Linha Sebastopol, em Caxias do Sul, a Nova Petrópolis, na manhã desta quarta-feira. Parte da estrutura da ponte — já fragilizada pelas enchentes de maio de 2024 — cedeu com a força da água, interrompendo novamente o tráfego local.
Outra estrutura afetada na região foi a Ponte da Cooperação, construída provisoriamente por moradores e empresas locais após a destruição da ponte da BR-116 em 2024. O carro da vítima de Nova Petrópolis foi arrastado ao tentar atravessar essa estrutura, que também foi comprometida pela cheia do Rio Caí.
Alerta em dezenas de municípios
As precipitações já ultrapassaram os 100 milímetros em diversas cidades, e o número de municípios com danos chega a 58, de acordo com levantamento atualizado da Defesa Civil. Os principais problemas incluem enchentes, deslizamentos, quedas de árvores, bloqueios em rodovias, pontes destruídas, escolas com aulas suspensas e famílias inteiras forçadas a abandonar seus lares.
Em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, aproximadamente 100 mil pessoas tiveram sua rotina afetada. Alagamentos, interrupção do transporte público e ruas intransitáveis transformaram o cotidiano dos moradores. A prefeitura informou que 430 pessoas precisaram deixar suas casas — 352 foram acolhidas por familiares e 78 foram levadas a abrigos municipais. Segundo o prefeito Airton Souza, pelo menos 29 escolas da rede municipal foram parcialmente destelhadas.
Vale do Taquari sob risco
A situação também é grave no Vale do Taquari. Seis municípios — Bom Retiro do Sul, Taquari, Cruzeiro do Sul, Arroio do Meio, Estrela e Lajeado — ativaram seus planos de contingência diante da elevação do Rio Taquari. Em Lajeado, famílias foram levadas ao Parque do Imigrante. Em Estrela, uma mulher cadeirante foi removida de uma área de risco, como parte de uma ação preventiva.
Rodovias interditadas e volumes extremos de chuva
As chuvas também afetam a malha viária do estado. Pelo menos 16 rodovias estaduais estão totalmente interditadas e outras seis operam com bloqueios parciais, dificultando o socorro e o transporte de insumos essenciais.
Nas redes sociais, o governador Eduardo Leite afirmou que algumas regiões do estado já acumulam mais de 350 milímetros de chuva desde o fim de semana — um volume “muito acima do normal para o período”. Ele alertou que os acumulados podem chegar a 450 mm em determinadas localidades. Ainda assim, ressaltou que não se espera, por ora, um cenário tão extremo quanto o de maio de 2024, quando mais de mil milímetros de chuva em poucas semanas deixaram 184 mortos e 25 desaparecidos.
Mobilização total
Equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e prefeituras seguem atuando em regime de emergência em todo o estado. O Rio Grande do Sul permanece em alerta máximo enquanto a previsão indica continuidade das chuvas nos próximos dias.
*Da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












