A falta de investimentos e de estrutura para prevenir desastres levou o secretário de Defesa Civil de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, a pedir exoneração do cargo. O tenente-coronel Guilherme Moraes oficializou a saída na quinta-feira (8) e apontou os possíveis impactos do fenômeno El Niño entre os fatores que aumentaram sua preocupação.
O oficial esteve à frente da pasta por um ano e nove meses. A saída ocorre em uma cidade que acumula tragédias provocadas por chuvas intensas e ainda enfrenta desafios para ampliar a prevenção de deslizamentos, alagamentos e outros desastres que ameaçam moradores de áreas vulneráveis.
Estudo aponta falhas históricas na prevenção
Além de ter ocupado o cargo público, Guilherme Moraes é coautor de um estudo científico publicado neste ano na revista Veredas. A pesquisa analisa o histórico de desastres em Petrópolis e destaca a falta de investimentos e a omissão do poder público entre os fatores associados à permanência de situações de vulnerabilidade.
O trabalho ressalta que o conhecimento prévio das áreas de risco e o monitoramento constante desses locais podem contribuir para a adoção de medidas preventivas mais eficazes. Com planejamento, investimentos e intervenções adequadas, parte dos desastres poderia ser evitada ou ter seus impactos reduzidos.
Os pesquisadores também defendem a continuidade das políticas públicas voltadas à prevenção, além da integração entre os órgãos responsáveis pela gestão de riscos e pela proteção da população.
Petrópolis acumula tragédias provocadas por chuvas
O município tem um histórico marcado por temporais, deslizamentos de terra e inundações com consequências graves. Em fevereiro de 1988, 171 pessoas morreram em um desastre na cidade. Em janeiro de 2011, a Região Serrana foi atingida por uma das maiores tragédias naturais do país, com quase mil mortes, incluindo 76 em Petrópolis.
Em 2013, outro episódio de chuvas deixou 33 mortos no município. Já em fevereiro de 2022, uma nova catástrofe provocou 178 mortes em Petrópolis.
A repetição desses episódios reforça o debate sobre a necessidade de ampliar os investimentos em prevenção, fortalecer os sistemas de alerta e garantir condições adequadas de atuação para a Defesa Civil. A preparação para eventos meteorológicos extremos também envolve planejamento urbano, monitoramento de encostas e medidas para reduzir a exposição de moradores a áreas de risco.
Prefeitura prevê anunciar substituto
Em nota, a Prefeitura de Petrópolis informou que pretende anunciar o novo secretário de Defesa Civil na terça-feira (13).
A administração municipal foi procurada para comentar a saída de Guilherme Moraes e as declarações relacionadas à falta de recursos e estrutura na pasta. Até a última atualização da reportagem, não havia apresentado um posicionamento sobre os motivos apontados pelo ex-secretário.
A mudança no comando da Defesa Civil ocorre em meio à discussão sobre a capacidade do município de se preparar para novos eventos extremos e proteger a população diante do risco de deslizamentos e alagamentos.
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