Um levantamento recente da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) trouxe à tona falhas preocupantes na formação de médicos no Rio de Janeiro.
Dos 22 cursos avaliados no estado, quase metade recebeu notas consideradas insatisfatórias, destacando a necessidade de medidas para garantir a qualidade do ensino e a segurança da população.
Participaram da prova mais de 39 mil estudantes de todo o país, sendo 3.302 alunos do Rio de Janeiro. Dez instituições privadas receberam conceitos 1 ou 2 — os dois mais baixos na escala de avaliação que vai até 5 — tornando o estado o de pior desempenho da Região Sudeste.
Entre elas, a Estácio de Angra dos Reis obteve a pior nota, com apenas 21,3% dos alunos atingindo o nível mínimo de proficiência.
Outras faculdades com conceito 2 incluem Unig Nova Iguaçu, Unid Itaperuna, Unigranrio (Rio de Janeiro e Caxias), Unifeso (Teresópolis), Unifoa (Volta Redonda), Atya Itaperuna e Unifamesc (Bom Jesus do Itabapoana).
Em contrapartida, cinco instituições obtiveram nota 4 — a mais alta no estado — destacando-se a UERJ, UFF, UFRJ, UFRRJ e Faculdade Souza Marques, com destaque para a UERJ, onde 89% dos estudantes atingiram o nível de proficiência.
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), Antônio Braga, apontou que a abertura indiscriminada de cursos sem estrutura adequada coloca em risco a saúde pública. Já o Sinpro-Rio, representado por Elson Paiva, destacou a falta de investimento em professores como fator que compromete a formação médica.
O relatório do Inep apontou que os estudantes apresentaram falhas em condutas básicas. Por exemplo, metade indicou exames desnecessários para pacientes com dor lombar crônica e apenas 34% demonstraram manejo correto de casos de dengue com sinais de alarme.
Diante desse cenário, o Cremerj defende medidas rigorosas, incluindo suspensão de vestibulares para cursos com nota 1 e acompanhamento intensivo para instituições com conceito 2. Alguns cursos podem até ser fechados caso as deficiências persistam.
Enquanto o MEC avalia ações corretivas, tramita no Congresso um projeto de lei que propõe exame obrigatório para registro profissional em medicina, garantindo que apenas profissionais qualificados atendam à população.
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