A retirada irregular de equipamentos e veículos pertencentes à Receita Federal passou a ser investigada pela Polícia Federal. A Operação Backdoor foi deflagrada nesta quinta-feira (23) para apurar o desaparecimento de bens armazenados na zona portuária do Rio de Janeiro.
Entre os materiais não localizados estão aproximadamente 300 computadores, cinco aparelhos de refrigeração e automóveis mantidos no pátio da instituição.
A ação teve apoio da corregedoria da Receita Federal e cumpriu quatro mandados de busca e apreensão.
As diligências foram realizadas nos bairros de Brás de Pina, Senador Camará e Guaratiba, na capital fluminense, além de Encruzo da Enseada, em Angra dos Reis.
Denúncia partiu da Receita Federal
A investigação começou depois que a própria Receita Federal comunicou suspeitas relacionadas ao desaparecimento dos bens.
Somente os computadores e os equipamentos de refrigeração foram avaliados em aproximadamente R$ 350 mil.
A Polícia Federal também busca determinar quantos veículos foram retirados, onde eles estão e quem teria recebido o patrimônio público.
Documentos de doação são investigados
Uma das linhas da apuração envolve a possível entrega dos equipamentos e automóveis a terceiros por meio de documentos de doação supostamente falsificados.
Os investigadores deverão analisar autorizações, registros administrativos e outros materiais relacionados à saída dos bens.
O objetivo é identificar se documentos foram produzidos ou alterados para dar aparência legal às retiradas.
Servidor e integrantes de organização são suspeitos
Segundo a investigação, o esquema teria contado com a participação de um servidor público que estava cedido à Receita Federal.
Integrantes de uma organização da sociedade civil de interesse público também são citados como possíveis participantes.
A Polícia Federal deverá esclarecer o papel de cada investigado, quem autorizava as retiradas e qual destino era dado aos equipamentos.
O nome Operação Backdoor utiliza a expressão inglesa que significa “porta dos fundos”.
A escolha faz referência à forma como parte do patrimônio teria sido retirada do prédio.
De acordo com a apuração, os equipamentos eram levados por uma saída localizada na parte traseira da unidade da Receita Federal, o que dificultava a fiscalização e o controle da movimentação.
Os documentos e equipamentos recolhidos durante as buscas deverão passar por análise.
O conteúdo poderá ajudar a identificar outros envolvidos, reconstruir a retirada dos bens e localizar o patrimônio desaparecido.
A investigação também poderá verificar se o esquema ocorreu em outras ocasiões ou alcançou uma quantidade maior de equipamentos.
Crimes podem ser ampliados
Os investigados poderão responder por peculato e associação criminosa.
Outras acusações poderão ser incluídas conforme o avanço das diligências e a identificação de novas irregularidades.
A responsabilidade de cada pessoa dependerá das provas reunidas durante o inquérito.
Com a Operação Backdoor, a Polícia Federal pretende esclarecer como bens públicos avaliados em centenas de milhares de reais deixaram as instalações da Receita e impedir que o patrimônio seja ocultado ou transferido novamente.
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