Uma operação deflagrada nesta terça-feira (4) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, com participação do Ministério Público estadual, investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao tráfico de drogas. Batizada de Operação Quimera, a ação apura o uso de empresas e estabelecimentos para movimentar, ocultar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa.
Segundo as investigações, mais de R$ 11 milhões em movimentações financeiras são analisados. Entre os locais investigados estão o Várzea Country Club, no bairro Água Santa, na Zona Norte do Rio, e a Pousada Menino do Rio, em Armação dos Búzios.
Clube teria sido alvo de grupo ligado ao tráfico
O Várzea Country Club, que possui mais de 60 anos de história, entrou no radar dos investigadores após suspeitas de que integrantes ligados ao Comando Vermelho teriam tentado assumir o controle informal da instituição.
A suspeita é de que a estrutura do clube tenha sido utilizada para movimentações financeiras e ocultação de valores supostamente provenientes do tráfico de drogas.
As investigações começaram após dirigentes do Clube Social Marabu, localizado no Encantado, relatarem ameaças para abandonar a administração do espaço. Conforme os investigadores, pessoas ligadas ao tráfico teriam exigido o pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir o funcionamento do clube sem represálias.
A apuração conduzida pela Delegacia de Nova Iguaçu identificou indícios de que uma dinâmica semelhante poderia estar ocorrendo no Várzea Country Club.
Investigados teriam criado administração paralela
Segundo a polícia, pessoas apontadas como integrantes do grupo criminoso passaram a interferir informalmente na administração do Várzea Country Club, mesmo sem possuir vínculo jurídico ou estatutário com a entidade.
As suspeitas envolvem interferências na realização de eventos, nas decisões internas e nas movimentações financeiras do clube.
Os investigadores também identificaram um grupo familiar que, segundo a apuração, teria desempenhado funções relacionadas a uma estrutura financeira paralela.
Um dos investigados é apontado como possível operador financeiro, enquanto outro teria participado da gestão informal. Um terceiro teria movimentado cerca de R$ 2,4 milhões em seis meses, embora não apresentasse atividade empresarial formal compatível com os valores.
Outro investigado teria realizado aproximadamente 40 transferências via Pix, que totalizaram R$ 240 mil. De acordo com a investigação, ele aparece como autor em cerca de 20 registros policiais, incluindo ocorrências relacionadas a roubos de carga.
Uma quinta pessoa investigada também teria apresentado movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada. Segundo a polícia, ela movimentou aproximadamente R$ 2,2 milhões em seis meses, apesar de declarar trabalhar como recepcionista e receber cerca de R$ 3,2 mil mensais.
No mesmo período, essa investigada teria recebido aproximadamente R$ 253 mil de outro alvo da operação, divididos em seis transferências.
Pousada em Búzios também entrou no radar
A investigação também encontrou operações financeiras consideradas suspeitas relacionadas à Pousada Menino do Rio, em Armação dos Búzios.
O estabelecimento possui 16 quartos e cinco funcionários e registra diárias de aproximadamente R$ 540 durante a alta temporada. Apesar do porte, a pousada teria movimentado cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses.
No período analisado, foram identificados mais de 600 depósitos em dinheiro, que somaram aproximadamente R$ 955 mil.
Para os investigadores, o volume e o padrão dessas transações podem ser compatíveis com uma tentativa de inserir recursos de origem ilícita na economia formal.
Relatórios do Coaf apontaram movimentações suspeitas
A análise de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também faz parte da investigação.
Segundo a polícia, os documentos indicaram movimentações milionárias que não seriam compatíveis com os rendimentos declarados pelos investigados.
Entre os padrões identificados estão transferências recorrentes entre familiares, empresas e pessoas físicas, além de depósitos em espécie e operações realizadas de forma fracionada por Pix.
A hipótese investigada é de que a utilização de diferentes pessoas e empresas teria como objetivo dificultar o rastreamento da origem dos recursos, ocultar patrimônio e reinserir no sistema financeiro valores supostamente provenientes do tráfico.
Medidas judiciais foram solicitadas
No decorrer da Operação Quimera, foram solicitadas à Justiça medidas para bloquear valores e ativos financeiros relacionados aos investigados.
Também foram requeridas a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, restrições sobre veículos e participações societárias, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas.
As movimentações analisadas ultrapassam R$ 11 milhões. Conforme a investigação, os padrões financeiros encontrados podem apresentar características associadas à ocultação patrimonial, à pulverização de recursos e à lavagem de dinheiro.
As suspeitas, contudo, ainda dependem do avanço das investigações e da análise judicial das medidas solicitadas pelas autoridades.
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