A poluição industrial, a falta de saneamento básico e as desigualdades no acesso aos serviços públicos estão entre os fatores que comprometem a saúde e a qualidade de vida de moradores da zona oeste do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense. As diferenças foram destacadas pelo Mapa da Desigualdade 2026, levantamento que reúne indicadores sociais e ambientais dos municípios da Região Metropolitana.
De acordo com os dados apresentados no estudo, o estado do Rio de Janeiro registrou, em 2025, 43.724 internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) relacionadas a pneumonia, bronquite, asma e outras doenças do aparelho respiratório. Aproximadamente 60% desses registros ocorreram em bairros da zona oeste da capital, como Santa Cruz, e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Nessas áreas, a presença de polos siderúrgicos, petroquímicos e logísticos aumenta a preocupação com a exposição da população à poluição. O cenário reforça a importância de acompanhar os efeitos dos fatores ambientais sobre a saúde, especialmente em territórios que também enfrentam dificuldades de acesso a serviços essenciais.
Desigualdades raciais e econômicas
Publicado em outubro pela organização Casa Fluminense, o levantamento também aponta diferenças relacionadas à raça e à renda. Segundo os números divulgados, mais de 70% das 741 pessoas mortas por agentes de segurança pública no estado em 2025 eram negras.
O estudo identificou ainda que a diferença salarial entre pessoas negras e brancas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro aumentou 62,5% em cinco anos, evidenciando a permanência de disparidades econômicas entre os grupos raciais.
Para a socióloga Iris Rosa, coordenadora de informação da Casa Fluminense, a publicação funciona como uma ferramenta de monitoramento cidadão e mobilização política. Os indicadores permitem observar como as condições de vida variam de acordo com o território e o acesso a serviços como saúde, educação e segurança pública.
A especialista destaca que a população negra enfrenta impactos desproporcionais de problemas sociais e ambientais. Entre as questões apontadas estão as internações associadas à água contaminada e à exposição ao esgoto, os efeitos da poluição atmosférica e a violência.
Segundo Iris Rosa, mesmo em 2026, parte dos moradores continua exposta a condições que prejudicam a saúde e a segurança. A falta de saneamento e a poluição em determinadas áreas se somam a outros problemas estruturais, atingindo de maneira mais intensa grupos historicamente vulneráveis.
Levantamento reúne 40 indicadores
Esta é a quinta edição do Mapa da Desigualdade, que reúne 40 indicadores referentes aos 22 municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As informações estão organizadas em quatro eixos: justiça econômica, racial, de gênero e climática.
Além dos dados sobre saúde, renda e violência, a pesquisa aponta deficiências no saneamento e a exposição de milhares de famílias a riscos de deslizamentos e inundações. Esses fatores ajudam a dimensionar os desafios enfrentados por diferentes comunidades da região.
Ao reunir informações sobre as condições sociais, econômicas e ambientais dos municípios, a Casa Fluminense busca ampliar o acesso a dados que contribuam para o debate público e para a formulação de políticas públicas.
Os resultados também reforçam a importância de considerar as desigualdades territoriais no planejamento de ações governamentais, sobretudo nas áreas em que a população convive com maior exposição a riscos ambientais e dificuldades de acesso a serviços essenciais.
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