Um incêndio de grandes proporções atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife, e provocou prejuízos materiais e científicos. O fogo comprometeu laboratórios utilizados em pesquisas sobre câncer, obesidade, Covid-19, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Entre os trabalhos afetados estavam estudos desenvolvidos ao longo de aproximadamente 20 anos, envolvendo pesquisadores, professores e estudantes de graduação e pós-graduação. O impacto ultrapassa os danos à estrutura física, já que parte dos experimentos e materiais científicos pode ter sido perdida definitivamente.
O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, estimou em cerca de R$ 100 milhões os prejuízos relacionados a equipamentos, insumos e materiais utilizados nas atividades de pesquisa.
Apesar da gravidade da ocorrência, a universidade informou que não houve feridos. Pesquisas sobre doenças e tratamentos estavam entre os trabalhos atingidos.

O prédio reunia laboratórios dedicados a diferentes áreas do conhecimento, incluindo genética, informática, desenvolvimento de fármacos e investigações relacionadas à saúde humana.
Entre os projetos estavam pesquisas voltadas ao câncer, à obesidade e à Covid-19, além de estudos sobre condições do neurodesenvolvimento, como o autismo e o TDAH.
Essas atividades envolviam anos de coleta de dados, análises laboratoriais, acompanhamento de resultados e desenvolvimento de métodos científicos.
A destruição de materiais e equipamentos especializados pode comprometer a continuidade de experimentos e exigir a reconstrução de etapas inteiras dos projetos.
Em alguns casos, pesquisas interrompidas podem ser retomadas a partir de registros e bancos de dados preservados. Em outros, a perda de amostras e resultados experimentais pode tornar impossível a recuperação integral do trabalho realizado.
A universidade ainda precisará avaliar quais projetos poderão continuar e quais sofreram danos irreversíveis.
Pesquisadores relatam tristeza diante de perdas acumuladas por décadas
Na manhã desta quinta-feira (8), pesquisadores chegaram à Cidade Universitária para acompanhar a situação dos laboratórios atingidos pelo incêndio.
Equipes do Sistema Jornal do Commercio acompanharam a movimentação na universidade e ouviram relatos marcados por tristeza e frustração.
Para os profissionais envolvidos, o incêndio representa a possível perda de anos de dedicação à ciência, incluindo trabalhos de mestrado, doutorado e projetos de investigação desenvolvidos em colaboração com diferentes pesquisadores.
Além dos equipamentos, laboratórios científicos armazenam materiais biológicos, reagentes, amostras e registros que podem exigir anos de trabalho para serem produzidos.
A dimensão dos danos também preocupa estudantes que dependem dessas estruturas para concluir pesquisas acadêmicas e desenvolver suas atividades de formação.
Prejuízo estimado em R$ 100 milhões
A estimativa inicial apresentada pela administração da UFPE aponta perdas de aproximadamente R$ 100 milhões.
O valor considera danos relacionados à infraestrutura científica, aos equipamentos e aos materiais utilizados nas pesquisas.
Laboratórios especializados frequentemente dependem de aparelhos de alto custo, adquiridos com recursos públicos e investimentos destinados ao desenvolvimento científico.
A recuperação das instalações poderá exigir não apenas obras de reconstrução, mas também a compra de novos equipamentos e a reorganização dos projetos interrompidos.
Ainda não há um levantamento definitivo sobre a quantidade de laboratórios afetados ou o prazo necessário para a retomada integral das atividades.
Causas do incêndio serão investigadas
As circunstâncias que provocaram o incêndio deverão ser esclarecidas por meio de investigação e avaliações técnicas.
A Polícia Federal foi acionada para apurar o caso. O episódio também chama a atenção por ocorrer após outros registros de incêndio na universidade em um intervalo de pouco mais de uma semana.
Até o momento, não há confirmação de que os episódios tenham relação entre si.
As análises deverão ajudar a identificar a origem do fogo e as condições de segurança das instalações atingidas.
Perdas podem afetar o desenvolvimento científico
A UFPE é uma das principais instituições públicas de ensino superior e pesquisa do Nordeste. Seus laboratórios contribuem para a formação de profissionais e para a produção de conhecimento em áreas estratégicas, especialmente na saúde e na tecnologia.
O incêndio pode provocar atrasos em projetos científicos, comprometer cronogramas acadêmicos e exigir novos investimentos para a recuperação das estruturas.
A extensão desses impactos dependerá do levantamento técnico dos danos e da possibilidade de recuperar materiais e informações preservados fora dos ambientes atingidos.
Enquanto a universidade trabalha para dimensionar os prejuízos, pesquisadores enfrentam a incerteza sobre o futuro de estudos que consumiram anos de dedicação.
A ausência de vítimas evitou uma tragédia humana, mas as perdas representam um duro golpe para a comunidade científica e para projetos que buscavam ampliar o conhecimento sobre doenças e tratamentos.
Perícia interrompida por risco estrutural
Na tarde desta quinta-feira (8), a Polícia Federal precisou interromper a perícia no edifício após uma avaliação apontar risco estrutural. A continuidade dos trabalhos dependerá de medidas de escoramento, especialmente na área mais atingida pelas chamas.
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