A gastronomia produzida dentro das comunidades do Rio de Janeiro será o destaque da segunda edição do Favela Gourmet, que começa nesta sexta-feira (4). O festival reúne aproximadamente 40 bares, restaurantes e lanchonetes da Rocinha e do Vidigal, na zona sul da capital, e espera receber cerca de 5 mil visitantes até o encerramento, em 11 de setembro.
O número de participantes aumentou significativamente em relação à primeira edição. Em 2025, o circuito contou com 14 estabelecimentos. A iniciativa faz parte do projeto Na Favela Turismo, criado pelo empreendedor da Rocinha Renan Monteiro.
Segundo o organizador, o crescimento do evento também permite incluir pequenos negócios que ainda estão conquistando espaço no mercado.
“É legal, porque a gente está trazendo até negócios menores da favela, para poder incluir mais gente e dar oportunidade para esse pessoal que tem empreendimentos menores, mas com muito potencial também”, afirmou à Agência Brasil.
Festival terá sete categorias
Outra novidade desta edição está na premiação. Em 2025, apenas três estabelecimentos foram reconhecidos. Agora, serão sete categorias, ampliando o número de participantes que poderão ser premiados.
A competição vai escolher os destaques em comida e bebida e também terá uma categoria para estabelecimento revelação. Os guias turísticos também entram na disputa, com dois prêmios voltados à atuação durante o festival.
A ideia é incentivar não apenas o consumo nos estabelecimentos, mas também a circulação de turistas pela Rocinha e pelo Vidigal.
Um dos prêmios será entregue ao guia que levar o maior número de visitantes aos estabelecimentos participantes. O outro ficará com o profissional que conhecer a maior quantidade de locais e realizar consumo durante as visitas.
A votação será feita por meio de QR Code, e os vencedores serão anunciados em 11 de setembro.
Os prêmios são:
- Melhor Comida: R$ 2 mil;
- Melhor Bebida: R$ 1 mil;
- 2º Melhor Prato: R$ 500;
- 2ª Melhor Bebida: R$ 500;
- Melhor Revelação: R$ 500;
- Guia com mais visitantes: R$ 500;
- Guia que visitou mais estabelecimentos com consumo: R$ 500.
Na primeira edição, os três vencedores receberam R$ 3 mil cada. A organização optou por reduzir o valor individual para distribuir a premiação entre um número maior de empreendedores.
Gastronomia ajuda a movimentar o turismo
A proposta do Favela Gourmet vai além de criar uma competição gastronômica. O festival também busca fortalecer os pequenos negócios e apresentar aos visitantes a produção cultural e econômica existente nas comunidades.
Durante a primeira edição, cerca de 300 profissionais estiveram envolvidos na realização do evento. Os estabelecimentos participantes receberam aproximadamente 3,2 mil votos e registraram um aumento de cerca de 35% no movimento durante o período do festival.
O alcance nas redes sociais também cresceu. Segundo a organização, o engajamento aumentou aproximadamente 70%, ampliando a divulgação dos empreendimentos e ajudando a mostrar outras possibilidades de turismo na Rocinha e no Vidigal.
Para Renan Monteiro, a aproximação entre moradores, empresários, turistas, guias e agências pode criar oportunidades que continuem depois do fim do evento.
Os empreendedores participantes também contam com consultoria do Sebrae Rio, que oferece orientações para ajudar na estruturação e no crescimento dos negócios.
A intenção, segundo Monteiro, é transformar a gastronomia em uma das portas de entrada para uma rota turística permanente nas comunidades.
“A gente quer mostrar isso para o mundo inteiro”, afirmou.
Na avaliação do organizador, a experiência de conhecer os estabelecimentos, provar a comida e conversar com os moradores pode ajudar a ampliar a percepção dos visitantes sobre a realidade das comunidades.
Flor de Baunilha volta ao festival
Entre os participantes desta edição está a cafeteria Flor de Baunilha, localizada no Vidigal e administrada por Verônica Batista de Oliveira.
Ela também esteve na primeira edição do Favela Gourmet e recebeu um prêmio na categoria café da manhã pelo cuscuz recheado com carne seca e banana-da-terra, acompanhado de bolo de cenoura.
Para a nova edição, Verônica preparou croissants doces e salgados especialmente para o festival.
Moradora do Vidigal, ela também é conhecida pelo apelido Flor, que acabou incorporado ao nome da cafeteria.
O negócio começou há cerca de dez anos, depois que Verônica perdeu o emprego como gerente administrativa. A primeira tentativa de empreender foi feita em casa, com a produção de doces e sobremesas.
“Comecei a fazer doces em casa, coloquei no restaurante de uma amiga. O início foi assim, com sobremesas e docinhos para festa”, contou à Agência Brasil.
A ideia de oferecer café da manhã surgiu quatro anos atrás, durante a pandemia de covid-19. Após perder um familiar, Verônica recebeu como herança várias louças e decidiu utilizá-las para criar uma experiência diferente para os clientes.
“Só que com a pegada de tudo ser servido em xícaras com pires.”
Com a ajuda da irmã, a empreendedora alugou um espaço que reúne diferentes serviços, entre eles fisioterapia e manicure. A cafeteria ocupa a parte da frente do imóvel.
O nome Flor de Baunilha veio da ligação da proprietária com a confeitaria.
“Eu gosto muito do cheiro de doces e achei que a baunilha tinha tudo a ver.”
Verônica administra o negócio praticamente sozinha e busca criar uma identidade própria para o espaço, diferenciando a cafeteria das padarias que também oferecem refeições matinais na região.
“Eu tento sempre fazer as coisas de modo que as pessoas se sintam aconchegadas. Quero que o espaço seja realmente diferente de uma padaria.”
A programação completa do Favela Gourmet pode ser consultada no site oficial do festival.
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