A violência contra a mulher, frequentemente naturalizada ou silenciada, é o ponto de partida da exposição “Dobras e Desdobras”, primeira individual da artista Liane Roditi.
Em cartaz no Centro Cultural Correios, a mostra reúne 40 trabalhos que transitam entre vídeo, performance, fotografia, instalação, escultura, pintura, desenho e objetos.
Com formação inicial na dança, Liane construiu sua trajetória artística a partir do corpo como ferramenta de expressão. Ao migrar para as artes visuais, passou a investigar a experiência feminina sob diferentes perspectivas, utilizando especialmente a vídeo e a foto performance.
Influenciada pelos estudos feministas e pelas discussões sobre objetificação da mulher, a artista desenvolveu uma produção que, embora dialogue com vivências pessoais, não se limita ao autobiográfico.
A exposição propõe reflexões sobre silenciamento, apagamento e padrões impostos ao corpo feminino. Materiais como cabelos, fibras naturais, tecidos, sisal e pedras aparecem de forma simbólica nas obras.
O ato de trançar, por exemplo, surge como gesto de afeto e também de resistência, evocando práticas históricas de mulheres negras escravizadas que utilizavam os cabelos como forma de preservar sementes e transmitir mensagens.
Outros elementos recorrentes incluem o véu, a figura da noiva e representações do corpo submetido a pesos, metáforas visuais das expectativas sociais impostas às mulheres em contextos patriarcais. A proposta é provocar o público por meio de imagens delicadas, mas carregadas de significado.
Liane iniciou sua relação com a arte ainda na infância, aos três anos, quando começou a praticar balé por orientação médica. A experiência com a dança permanece presente em sua produção, já que o corpo continua sendo eixo central de sua pesquisa estética.
“Dobras e Desdobras” fica em cartaz até 14 de março, com entrada gratuita.
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