Estudantes do Colégio Pedro II promoveram nesta terça-feira (10) um ato contra casos de assédio na instituição, denunciando a recorrência desse tipo de conduta no ambiente escolar.
O protesto ocorre após a denúncia de um estupro coletivo ocorrido em janeiro, envolvendo quatro homens e um adolescente em um apartamento em Copacabana, sendo que dois dos acusados são alunos do colégio.
Entre os acusados está Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, filho do ex-subsecretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do governo do Rio de Janeiro, José Carlos Simonin, que foi demitido após a repercussão do caso. O outro envolvido é menor de idade e teve sua identidade preservada.
Ana Belarmino, estudante do Colégio Pedro II, relatou o medo de retaliações, tanto presenciais quanto virtuais, principalmente por grupos reacionários, e criticou a ausência de espaços de debate sobre gênero e sexualidade na instituição.
“Quando a gente fala sobre esse licenciamento também, a gente fala sobre o movimento que ele acontece por conta desse desrespeito que tem os movimentos reacionários com o Colégio Pedro II, de não criar espaços para o debate de gênero e sexualidade dentro da escola. […] Se existisse, de fato e efetivamente, como em algum momento, de um momento curtíssimo, existiu o debate de gênero e sexualidade dentro do Pedro II, a gente não teria o problema de uma aluna, por exemplo, não sabendo que tinha sido abusada pelo Vitor Hugo”, declarou a estudante.
A criação de uma comissão voltada ao enfrentamento do assédio na escola, debatida desde 2022, foi aprovada apenas nesta segunda-feira. Professora do colégio e integrante do Sindicato dos Servidores, Priscila Bastos, explicou que a proposta original previa uma comissão permanente e descentralizada, responsável por acolhimento, prevenção e monitoramento de casos de assédio e discriminação, sem depender da vontade individual de gestores.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que investiga dois novos casos de estupro envolvendo alunas adolescentes do colégio, praticados pelo mesmo grupo. Uma das vítimas tinha 14 anos na época e atualmente tem 17.
Em nota, o Colégio Pedro II repudiou a violência, se solidarizou com as estudantes e afirmou que os episódios são incompatíveis com os valores da instituição. O colégio informou que instaurou processo disciplinar e que o tema tem sido discutido em fóruns internos, negando qualquer silêncio institucional.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Vitor Hugo Oliveira Simonin nem de seu pai, José Carlos Simonin.
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