As consequências das enchentes podem continuar muito depois que a água baixa. Perdas materiais, deslocamento forçado e mudanças bruscas na rotina aumentam o risco de ansiedade, depressão, insônia e outros problemas emocionais.
No Rio Grande do Sul, pesquisa do IBGE realizada em 133 municípios atingidos pelas enchentes de 2024 mostrou que 67,5% dos domicílios relataram que ao menos um morador teve a saúde mental abalada.
Outro estudo, publicado nos Cadernos de Saúde Pública, analisou 2.494 adultos gaúchos. Pessoas que precisaram deixar suas casas ou sofreram impactos mais graves apresentaram maior frequência de sintomas de ansiedade e depressão.
A Organização Mundial da Saúde alerta que tristeza, medo, irritabilidade, ansiedade e dificuldades para dormir são frequentes após situações de emergência. Embora muitas pessoas melhorem com o tempo, parte dos atingidos pode desenvolver problemas que persistem por meses ou anos.
Crianças e adolescentes também precisam de atenção. O UNICEF recomenda manter espaço para diálogo, observar mudanças de comportamento e, quando possível, restabelecer gradualmente horários e atividades que faziam parte da rotina antes do desastre.
Especialistas defendem que o cuidado com a saúde mental faça parte das ações de resposta e reconstrução.
Recuperar uma comunidade atingida por uma enchente não significa apenas reconstruir casas e ruas, mas também ajudar as famílias a recuperar segurança, estabilidade e qualidade de vida.
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