O próximo governo do Rio de Janeiro começou a ganhar forma nesta terça-feira (3). A pouco mais de dois meses da posse, o governador eleito Douglas Ruas (PL) apresentou os três primeiros nomes de seu secretariado.
As escolhas também ajudam a revelar as prioridades do início da gestão. Ruas colocou no primeiro grupo áreas ligadas à articulação política, planejamento, controle das contas públicas e inclusão.
O anúncio ocorreu durante coletiva na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a Firjan, no Centro. Maria Gabriela Bessa assumirá a Casa Civil e Governança. Anderson Monteze comandará a Secretaria de Planejamento, Gestão e Inovação. Já a vice-governadora eleita Fernanda Louback ficará à frente da Secretaria de Políticas Inclusivas e da Mulher.
Primeiros nomes mostram desenho da nova gestão
Mais do que apresentar integrantes do primeiro escalão, Ruas começou a indicar como pretende distribuir funções dentro do governo.
Maria Gabriela Bessa já ocupa posição central na transição. Atualmente, ela comanda a Secretaria estadual das Cidades e coordena a equipe responsável pela passagem de governo.
Na Casa Civil, Bessa deverá concentrar a articulação entre secretarias e acompanhar projetos estratégicos. A nova gestão também pretende deixar a execução das políticas específicas sob responsabilidade de cada pasta.
Além disso, a futura secretária deverá participar da organização de projetos de infraestrutura e de parcerias com a iniciativa privada.
Anderson Monteze assume uma área especialmente sensível. Policial rodoviário federal de carreira e especialista em administração pública, ele já trabalhou no planejamento estadual. Também atuou como subsecretário de Planejamento e Orçamento nos governos de Wilson Witzel e Cláudio Castro.
Mais recentemente, Monteze trabalhou na Assembleia Legislativa do Rio com temas ligados a orçamento, finanças e gestão. Agora, caberá a ele ajudar a organizar as contas e estruturar o planejamento do próximo governo.
Fernanda Louback, por sua vez, acumulará a Vice-Governadoria com a Secretaria de Políticas Inclusivas e da Mulher. Vereadora de Niterói, ela deixará o mandato municipal no fim do ano.
Sua atuação política tem forte ligação com pautas de inclusão, autismo e direitos das pessoas com deficiência. Por isso, a nova secretaria deverá dialogar diretamente com áreas como Saúde, Educação e emprego.
Déficit bilionário amplia pressão sobre o novo governo
A apresentação da equipe ocorre em um momento particularmente delicado para as finanças estaduais.
A proposta orçamentária de 2027 prevê receitas líquidas de R$ 124,39 bilhões. As despesas, porém, chegam a R$ 138,37 bilhões. Assim, o déficit projetado alcança R$ 13,98 bilhões.
A Assembleia Legislativa começou a discutir o orçamento nesta terça-feira. O texto ainda poderá receber emendas antes da votação final.
Esse cenário coloca a área de planejamento no centro das primeiras decisões do novo governo. A futura equipe terá de rever projeções, definir prioridades e buscar espaço para investimentos sem ampliar o desequilíbrio fiscal.
Ao mesmo tempo, Ruas terá de responder a demandas antigas em áreas como segurança, saúde, educação e infraestrutura.
Algumas dessas pastas ainda não têm nomes anunciados. Segurança Pública, Fazenda, Saúde, Educação, Infraestrutura e Desenvolvimento Econômico estão entre as áreas que aguardam definição.
Na segurança, porém, Ruas já antecipou uma mudança estrutural. O governador eleito pretende reforçar uma coordenação integrada entre as polícias Civil e Militar dentro da Secretaria de Segurança Pública.
Dos palanques para a administração
Ruas chega ao Palácio Guanabara depois de uma eleição que só teve definição posterior ao dia da votação.
A Justiça Eleitoral retotalizou os votos após retirar do cálculo os 274.411 atribuídos a Anthony Garotinho (Republicanos), cuja candidatura foi indeferida. Com a nova contagem, Ruas alcançou 50,88% dos votos válidos e confirmou a vitória no primeiro turno.
Agora, o cenário muda. A disputa eleitoral ficou para trás e começa a etapa em que promessas precisam virar estrutura, orçamento e capacidade de execução.
Os três primeiros nomes mostram parte desse desenho, mas ainda deixam perguntas importantes abertas. As próximas escolhas indicarão quem assumirá áreas de maior orçamento e maior pressão política.
Também mostrarão como Ruas pretende equilibrar espaço entre técnicos, aliados e representantes de diferentes grupos de sua base.
Quando assumir o governo, em janeiro de 2027, a nova equipe encontrará um Estado com demandas elevadas e contas pressionadas. Por isso, a formação do secretariado não será apenas uma divisão de cargos.
Será o primeiro sinal concreto de como Douglas Ruas pretende transformar uma vitória eleitoral em governo e enfrentar um desafio que já começou antes mesmo da posse.
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