Uma atividade tecnológica cada vez mais presente na produção de vídeos, na construção civil e na prestação de serviços será levada gratuitamente a moradores de áreas vulneráveis do Rio de Janeiro.
Um novo projeto de qualificação profissional pretende preparar 100 pessoas para trabalhar na operação de drones leves e transformar o conhecimento adquirido em oportunidade de emprego ou geração de renda.
A iniciativa contará com investimento federal de R$ 200 mil e será executada pelo Instituto Brasileiro de Administração Pública e Apoio Universitário do Rio de Janeiro, o IBAP-RJ. O repasse foi formalizado por meio de um termo de fomento publicado no Diário Oficial da União.
O acordo prevê a transferência integral dos recursos, sem contrapartida financeira da instituição responsável pelo projeto. A vigência do instrumento começou em 3 de julho de 2026 e seguirá até 3 de julho de 2027.
Formação integra programa federal
A capacitação está vinculada ao Programa Manuel Querino de Qualificação Social e Profissional, criado pelo Ministério do Trabalho e Emprego para atender trabalhadores em situação de vulnerabilidade social.
O programa busca ampliar as possibilidades de entrada e permanência no mundo do trabalho por meio de cursos gratuitos associados às necessidades do mercado e às transformações tecnológicas.
No Rio de Janeiro, o projeto utilizará a operação de drones como instrumento de inclusão produtiva. A expectativa é aproximar moradores de comunidades de uma área que normalmente exige investimento em equipamentos, capacitação e conhecimentos sobre segurança aérea.
As etapas de seleção, os locais das atividades presenciais e o calendário das turmas ainda deverão ser detalhados pela instituição executora.
Curso terá aulas teóricas e práticas
A formação terá carga horária de 125 horas e será oferecida no formato híbrido. Parte dos conteúdos será apresentada pela internet, enquanto as atividades de pilotagem e outras experiências práticas ocorrerão presencialmente.
Os participantes serão capacitados para operar drones com peso de até 250 gramas. A escolha por equipamentos leves pretende facilitar o aprendizado e reduzir algumas barreiras regulatórias e financeiras enfrentadas por quem está começando na área.
Apesar de estarem sujeitos a regras simplificadas em comparação com aeronaves de maior porte, os drones dessa categoria não podem ser utilizados sem planejamento e responsabilidade.
Os operadores precisam conhecer as limitações relacionadas à altura, à proximidade de aeroportos, à circulação sobre pessoas e ao acesso a áreas controladas ou restritas. A Agência Nacional de Aviação Civil disciplina aspectos ligados às aeronaves, enquanto o Departamento de Controle do Espaço Aéreo administra o acesso ao espaço aéreo brasileiro.
Segurança fará parte do conteúdo
Durante as aulas, os alunos receberão orientações sobre preparação e execução de voos, controle do equipamento e prevenção de acidentes.
A programação deverá abordar a avaliação das condições do local, a identificação de obstáculos, o planejamento da rota e os procedimentos necessários para preservar a segurança das pessoas próximas.
Também serão discutidas situações em que a operação deve ser suspensa, como condições meteorológicas inadequadas, falhas no equipamento ou presença de outras aeronaves na região.
O treinamento pretende formar profissionais capazes de utilizar os drones de maneira segura, ética e compatível com as normas aplicáveis ao setor.
Produção audiovisual está entre as oportunidades
Uma das áreas contempladas será a captação de fotografias e vídeos aéreos. Os alunos aprenderão a utilizar os equipamentos para produzir imagens destinadas a eventos, publicidade, redes sociais, turismo, registros institucionais e divulgação de imóveis.
A produção audiovisual é uma das portas de entrada para operadores iniciantes, principalmente porque pequenos drones podem ser transportados com facilidade e utilizados em diferentes tipos de trabalho.
O curso também poderá apresentar aplicações em inspeção de fachadas, telhados e estruturas de difícil acesso. Em determinadas atividades, o uso dessas aeronaves reduz a necessidade de colocar trabalhadores em locais elevados ou perigosos.
Outras possibilidades incluem acompanhamento de obras, mapeamento de áreas, monitoramento ambiental e produção de registros para empresas e órgãos públicos.
Uso de imagens exige responsabilidade
A formação deverá tratar ainda dos limites éticos relacionados à captação e à divulgação das imagens.
O fato de uma câmera estar instalada em uma aeronave não autoriza o operador a registrar pessoas, residências ou espaços privados sem observar os direitos envolvidos.
O profissional precisa avaliar a finalidade do trabalho, solicitar as autorizações necessárias e impedir o uso indevido do material produzido.
Além de comprometer a confiança do cliente, operações realizadas de forma irresponsável podem causar conflitos relacionados à privacidade e à segurança.
Empreendedorismo integra capacitação
O projeto não ficará restrito às técnicas de pilotagem. Os participantes também receberão noções de empreendedorismo para aprender a organizar serviços e buscar oportunidades de atuação autônoma.
Entre os conteúdos poderão estar formação de preços, atendimento ao cliente, divulgação profissional, planejamento financeiro e elaboração de propostas comerciais.
A intenção é permitir que os alunos utilizem a capacitação para criar pequenos negócios ou complementar a renda com trabalhos realizados sob demanda.
Um operador poderá, por exemplo, ser contratado para registrar eventos, produzir imagens de imóveis, acompanhar obras ou executar levantamentos visuais para empresas.
A proposta reconhece que parte das oportunidades nesse segmento ocorre por meio da prestação independente de serviços, e não apenas pela contratação formal.
Tecnologia alcança diferentes setores
Os drones deixaram de ser equipamentos utilizados somente em filmagens e atividades recreativas. Atualmente, a tecnologia aparece na agricultura, na engenharia, na construção civil, no monitoramento ambiental, na segurança, no turismo e na inspeção de infraestrutura.
O crescimento das aplicações aumenta a necessidade de operadores que dominem o controle das aeronaves e compreendam as regras de utilização.
A qualificação técnica é especialmente importante porque o acesso facilitado aos equipamentos pode criar a falsa impressão de que qualquer operação pode ser realizada sem conhecimento prévio.
A formação pretende reduzir esse risco ao combinar prática de voo, legislação, segurança e orientação profissional.
IBAP-RJ será responsável pela execução
Criado em 2002, o Instituto Brasileiro de Administração Pública e Apoio Universitário do Rio de Janeiro é uma entidade civil sem fins lucrativos, de caráter educativo, científico e cultural.
O instituto ficará responsável pela execução das atividades previstas no termo de fomento, incluindo a organização das turmas, a contratação de instrutores e a disponibilização dos materiais necessários.
Os recursos federais deverão custear a estrutura pedagógica e operacional do projeto durante o período de vigência do acordo.
Seleção ainda será anunciada
As regras de participação, os critérios de escolha dos candidatos e o período de inscrições deverão ser divulgados pelos responsáveis pela capacitação.
Como o projeto é direcionado a moradores de comunidades de baixa renda, a seleção poderá exigir documentos que comprovem residência, idade e enquadramento no público atendido pelo Programa Manuel Querino.
Os interessados deverão acompanhar os canais oficiais do IBAP-RJ e do Ministério do Trabalho para conhecer as datas e as condições de inscrição.
Com 100 vagas previstas, a iniciativa pretende oferecer uma formação inicial capaz de aproximar os participantes do mercado de tecnologia e audiovisual.
O resultado dependerá não apenas da conclusão das aulas, mas da capacidade de conectar os profissionais formados a oportunidades reais de trabalho.
Ao financiar o curso, o governo federal aposta que uma tecnologia em expansão poderá funcionar como instrumento de inclusão produtiva. Para os participantes, o desafio será transformar as horas de aprendizado em serviços seguros, renda e novas perspectivas profissionais.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












