A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira (13), uma operação contra um grupo suspeito de operar plataformas ilegais de apostas, praticar fraudes financeiras e lavar dinheiro. Batizada de Disque 151, a ação é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) com participação do Ministério Público de São Paulo.
A Justiça decretou a prisão de três investigados e autorizou seis mandados de busca e apreensão. Também foram determinadas duas quebras de sigilo bancário e duas de sigilo telefônico. Como a operação ainda estava em andamento nas primeiras horas desta manhã, não havia confirmação de que todos os mandados de prisão já tivessem sido cumpridos.
As medidas incluem ainda o bloqueio de até R$ 154 milhões relacionados a seis pessoas físicas e cinco pessoas jurídicas investigadas. Segundo a apuração, o grupo teria realizado cerca de 38,5 milhões de operações e movimentado mais de R$ 14 milhões em um período de seis meses.
Reclamações ajudaram a chegar ao esquema
A investigação teve como um de seus pontos de partida reclamações de consumidores sobre plataformas de jogos e apostas, principalmente relacionadas à falta de pagamento de prêmios. A partir desses registros e de análises financeiras, os investigadores avançaram para quebras de sigilos bancários, fiscais e telemáticos.
O número exato de reclamações relacionadas às plataformas investigadas, entretanto, ainda precisa de esclarecimento. Uma publicação desta terça atribuiu ao caso mais de 10 milhões de reclamações, mas esse dado não pôde ser confirmado em fonte oficial. Em audiência no Senado realizada neste ano, representante do Procon-SP informou que o órgão havia recebido pouco mais de 3,7 mil reclamações relacionadas a jogos e apostas até abril de 2026.
Cerco às plataformas clandestinas
A operação ocorre poucos dias depois do endurecimento das medidas contra o mercado de apostas no país. Desde o início de outubro, milhares de endereços de plataformas consideradas ilegais foram encaminhados para bloqueio pelo governo federal. Até 7 de outubro, mais de 13 mil sites haviam sido alcançados pelas ações de retirada do ar.
No caso investigado em São Paulo, a polícia busca agora identificar a estrutura financeira por trás das plataformas, o destino dos recursos movimentados e a eventual participação de outras pessoas ou empresas.
Como a Operação Disque 151 continua em andamento, o balanço de prisões e apreensões ainda poderá ser atualizado ao longo desta terça-feira.
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