Nesta sexta-feira, 6 de junho, o Parque Nacional da Tijuca recebeu quatro araras-canindés (Ara ararauna), marcando o início de um processo histórico de reintrodução dessa espécie na cidade do Rio de Janeiro, onde havia sido extinta há mais de 200 anos. A iniciativa é realizada pela Refauna, com o apoio do ICMBio e diversos parceiros, e representa um passo fundamental na restauração ecológica da Mata Atlântica, um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta.
As araras passarão por uma fase de aclimatação em um recinto especialmente construído dentro do parque, onde serão preparadas para a soltura definitiva. Durante esse período, elas terão contato com alimentos nativos, estímulo ao voo e adaptação aos ninhos artificiais projetados para a espécie. O processo inclui acompanhamento rigoroso da saúde e comportamento das aves.
A arara-canindé é nativa da América do Sul, mas foi extinta no estado do Rio de Janeiro devido à caça e à perda de habitat. O último registro em vida livre na cidade data de 1818. A ausência dessa ave afetou processos ecológicos essenciais, como a dispersão de sementes de grandes árvores, fundamentais para a manutenção da floresta urbana.
Segundo Marcelo Rheingantz, biólogo da UFRJ e diretor executivo da Refauna, o retorno das araras significa a recuperação de funções ecológicas e ajuda na regeneração da Mata Atlântica. Para Breno Herrera, gerente regional do ICMBio, a reintrodução simboliza o sucesso das unidades de conservação na proteção dos ecossistemas.
As araras vieram do Parque Três Pescadores, em São Paulo, e passaram por um rigoroso trabalho de reabilitação para garantir que não apresentem comportamento de domesticação. Durante o período de aclimatação, serão alimentadas duas vezes ao dia e monitoradas quanto ao comportamento social, habilidades de voo e condição física. A previsão é que a soltura definitiva ocorra em cerca de seis meses, com acompanhamento contínuo após a liberação.
O programa Refauna, iniciado em 2010, já reintroduziu outras espécies como cutias, jabutis e bugios na Mata Atlântica do Rio de Janeiro, fortalecendo o equilíbrio dos ecossistemas e a conexão entre pessoas e natureza. A chegada das araras-canindés é mais um marco nessa trajetória de conservação e combate à defaunação.
A iniciativa reúne uma rede ampla de parceiros, incluindo instituições de pesquisa, órgãos ambientais e ONGs, unindo esforços para restaurar a biodiversidade e assegurar um futuro mais sustentável para a floresta e a cidade.
*Da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












