Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Embrapa Instrumentação anunciaram o desenvolvimento de um sensor portátil capaz de detectar, na saliva, a presença de uma proteína ligada a diferentes transtornos mentais, como depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar. O estudo, divulgado em agosto na revista científica ACS Polymers Au, aponta a inovação como uma alternativa promissora para diagnósticos menos invasivos.
O dispositivo mede os níveis do BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), proteína essencial para funções como manutenção de neurônios, memória e aprendizado. Alterações nas concentrações dessa molécula têm sido associadas a diversas condições psiquiátricas e neurológicas, tornando-a um importante biomarcador da saúde mental.
O biossensor foi construído a partir de uma tira flexível de polímero, impressa com eletrodos que reagem ao contato com a amostra de saliva. Conectado a um analisador portátil, o sistema fornece os resultados de forma rápida e pode transferi-los para dispositivos móveis, sem a necessidade de exames de sangue ou outros métodos invasivos.

Uma das principais vantagens da tecnologia é o custo reduzido. Por utilizar materiais acessíveis, o sensor pode ser fabricado em larga escala e descartado após cada uso, ampliando seu potencial de aplicação em locais com recursos limitados.
Apesar dos resultados iniciais encorajadores, os pesquisadores destacam que ainda são necessárias validações em grupos maiores de pacientes e comparações com exames laboratoriais tradicionais antes de sua adoção clínica.
A expectativa é que, futuramente, o biossensor se torne um recurso complementar para profissionais de saúde mental, auxiliando tanto no diagnóstico precoce quanto no monitoramento de tratamentos.
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