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Proibição das bets muda mercado de apostas e coloca bilhões de reais em disputa

Encerramento das plataformas abre debate sobre endividamento, saúde pública e destino do dinheiro antes gasto em jogos.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
08/10/2026 - 15:49
em Brasil
Proibição das bets muda mercado de apostas e coloca bilhões de reais em disputa

O mercado de apostas online no Brasil entrou em uma nova fase após a proibição das chamadas bets. Em menos de duas semanas, o governo federal solicitou o bloqueio de 13.241 sites clandestinos, enquanto as plataformas que operavam com autorização oficial tiveram suas atividades encerradas. A medida também deu início a uma operação para devolver mais de R$ 1,3 bilhão aos apostadores.

A suspensão das atividades começou na terça-feira (6), conforme o cronograma estabelecido pela Medida Provisória nº 1.394/2026. A legislação proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas esportivas e jogos online no território nacional.

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, 188 sites estavam autorizados a operar até o início de outubro. No primeiro dia de encerramento, apenas uma dessas plataformas permanecia acessível, e o governo também solicitou seu bloqueio.

Mais de 26 milhões de apostadores têm dinheiro a receber

Uma das principais preocupações após o fechamento das plataformas é garantir a devolução dos recursos depositados pelos usuários.

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Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, apontam que aproximadamente 26,5 milhões de pessoas ainda possuíam valores nas contas das bets. O total pendente de restituição chega a R$ 1,325 bilhão.

O prazo para solicitar saques diretamente nos sites terminou na segunda-feira (5). No entanto, os consumidores que não retiraram o dinheiro dentro desse período continuam tendo direito à restituição.

As empresas devem encaminhar às instituições financeiras os valores existentes em cada conta, identificados pelo CPF do titular e associados aos dados bancários utilizados nos depósitos.

Os bancos deverão realizar os pagamentos entre sexta-feira (9) e quarta-feira (14). Caso existam impedimentos para concluir a devolução, os recursos serão encaminhados à Caixa Econômica Federal, que ficará responsável pela etapa seguinte do processo.

Governo espera que dinheiro das apostas volte ao comércio

Além de interromper as operações das empresas, o governo federal espera que a proibição provoque mudanças na forma como os brasileiros utilizam o próprio dinheiro.

A avaliação da equipe econômica é que parte dos recursos anteriormente destinados às apostas poderá ser redirecionada para despesas domésticas, pagamento de dívidas e consumo de produtos e serviços.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, estimativas do governo indicavam que entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões saíam diariamente dos recursos das famílias em direção às plataformas de apostas.

Com o encerramento dessas operações, setores como comércio, turismo e serviços poderão receber parte desse dinheiro, caso os consumidores optem por direcionar os valores para outras atividades.

O resultado, entretanto, não é automático. A recuperação do consumo dependerá das decisões das famílias, da situação financeira dos consumidores e da capacidade de impedir a transferência das apostas para sites clandestinos.

Fiscalização alcança redes sociais e aplicativos

A ofensiva federal não está restrita aos endereços eletrônicos utilizados pelas casas de apostas.

Entre 25 de setembro e 6 de outubro, foram encaminhados para bloqueio 13.241 sites ilegais, uma média superior a mil solicitações por dia.

O governo também pediu a remoção de 3.552 páginas, perfis, canais, grupos e servidores utilizados para divulgar ou promover atividades relacionadas às apostas ilegais.

As solicitações alcançaram Facebook, Instagram, Telegram, TikTok, WhatsApp e Discord.

O objetivo é reduzir tanto a disponibilidade das plataformas quanto os canais de divulgação capazes de atrair novos apostadores.

O combate às operações clandestinas, porém, continuará sendo um desafio. Sites podem tentar retornar utilizando outros domínios e meios digitais, exigindo acompanhamento permanente das autoridades.

Maior parte do dinheiro está concentrada em poucos apostadores

Embora milhões de brasileiros ainda tenham valores a receber, os recursos não estão distribuídos de maneira uniforme.

Dados apresentados pelo Ministério da Fazenda mostram que aproximadamente 86,2 milhões de contas possuíam saldos inferiores a R$ 1, somando R$ 15,5 milhões.

Em contrapartida, uma parcela reduzida dos apostadores concentra a maior parte dos valores pendentes. Segundo o governo, cerca de 1% dos usuários reúne aproximadamente 80% do dinheiro ainda não retirado.

Essa concentração também chamou a atenção das autoridades. Contas com valores elevados deverão passar por análise para identificar possíveis irregularidades financeiras, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro.

A investigação será conduzida paralelamente ao processo de restituição, sem que a existência de saldo elevado represente, isoladamente, comprovação de crime.

Endividamento e dependência em jogos entram no debate

A proibição também amplia a discussão sobre os efeitos das apostas na saúde pública e na estabilidade financeira das famílias.

O transtorno do jogo pode comprometer o orçamento doméstico, provocar conflitos familiares e estar associado a problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão.

Para pessoas que desenvolveram comportamento compulsivo, a simples retirada das plataformas autorizadas pode não ser suficiente para interromper as apostas. A prevenção, o acompanhamento psicológico e o acesso a serviços de saúde continuam sendo importantes.

Outro ponto de atenção é a possibilidade de migração para operações clandestinas, que podem oferecer ainda menos mecanismos de proteção aos consumidores.

Medida ainda depende do Congresso Nacional

Apesar de já produzir efeitos, a proibição foi estabelecida por medida provisória, instrumento que possui força de lei desde sua publicação, mas precisa ser analisado pelo Congresso Nacional.

A continuidade das novas regras dependerá da tramitação legislativa e da manutenção das medidas de fiscalização.

Enquanto isso, milhões de apostadores aguardam a devolução dos valores depositados, e o governo acompanha os possíveis impactos do encerramento das bets sobre a economia e o comportamento dos consumidores.

Os próximos meses deverão indicar se a retirada das plataformas será capaz de reduzir a exposição ao jogo, aliviar o orçamento familiar e estimular o consumo em outros setores.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

Tags: #ApostasEsportivas#BetsProibidas#BloqueioDeSites#Brasil#DinheiroDosApostadores#Economia#FimDasBets#FinançasPessoais#GovernoFederal#MinisterioDaJustica#Notícias#restituição
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