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Presidente do STM defende que casos de violência doméstica contra militares sejam julgados pela Justiça comum

Maria Elizabeth Rocha afirmou que mulheres das Forças Armadas devem ter acesso às medidas de proteção previstas na Lei Maria da Penha.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
24/08/2026 - 19:30
em Brasil
Presidente do STM, Maria Elizabeth Rocha, defende que casos de violência doméstica envolvendo militares sejam analisados pela Justiça comum.

Imagem: Reprodução/ Flávia Freitas/OAB-RJ

A aplicação da Lei Maria da Penha às mulheres que integram as Forças Armadas entrou no centro de um debate jurídico nesta segunda-feira (24), no Rio de Janeiro. Durante um evento promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, defendeu que casos de violência doméstica envolvendo militares sejam analisados pela Justiça comum.

A declaração foi feita durante um encontro realizado na Escola Superior da Advocacia, dentro da programação que marca os 20 anos da Lei Maria da Penha.

Para a ministra, o fato de uma mulher pertencer às Forças Armadas não deve impedir que ela tenha acesso aos mecanismos de proteção previstos especificamente para situações de violência doméstica e familiar.

Segundo Maria Elizabeth, a Justiça comum dispõe de instrumentos voltados à proteção das vítimas que não estão disponíveis da mesma forma na Justiça Militar. Entre eles estão medidas de natureza cível que podem ser determinadas para impedir novas agressões e diminuir os riscos enfrentados pela mulher.

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Justiça comum teria mais instrumentos de proteção

Na avaliação da presidente do STM, a principal diferença está na estrutura e na competência de cada ramo da Justiça.

A Justiça Militar tem atuação predominantemente voltada para questões criminais relacionadas à atividade militar. Já a Justiça comum, especialmente por meio das varas especializadas em violência doméstica, conta com mecanismos destinados a proteger a vítima e lidar com diferentes aspectos da situação de violência.

Para Maria Elizabeth, essa diferença precisa ser considerada quando uma integrante das Forças Armadas sofre violência dentro de casa.

A condição profissional da vítima, segundo a ministra, não deveria limitar o acesso às ferramentas criadas especificamente para prevenir novas agressões e garantir sua segurança.

Debate ocorre 20 anos após criação da Lei Maria da Penha

A discussão aconteceu no momento em que a Lei Maria da Penha completa duas décadas.

Sancionada em 2006, a legislação criou mecanismos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar contra mulheres, além de estabelecer medidas de proteção e instrumentos para responsabilizar os agressores.

Ao longo dos anos, a aplicação da lei passou a envolver diferentes situações e perfis de vítimas, levando o Judiciário e o Legislativo a discutir como garantir sua efetividade em contextos específicos.

O caso de mulheres integrantes das Forças Armadas é um desses pontos de debate, especialmente quando a violência acontece no ambiente familiar e o agressor também possui vínculo com a carreira militar.

OAB-RJ promove debate sobre os avanços da legislação

O encontro promovido pela OAB-RJ reuniu profissionais e representantes da área jurídica para discutir os resultados obtidos pela Lei Maria da Penha e os desafios que ainda permanecem.

A presidente da entidade, Ana Tereza Basilio, destacou a participação da ministra Maria Elizabeth Rocha no evento e ressaltou a importância da discussão para o campo dos direitos humanos.

A programação também contou com o lançamento de duas publicações jurídicas.

Uma delas foi o livro “20 anos da Lei Maria da Penha: da Conquista Normativa aos Desafios da Efetividade”, uma obra coletiva produzida por mulheres. Também foi lançado o “Curso de Direitos Humanos”, de Sidney Guerra.

Discussão envolve proteção das vítimas

A posição apresentada pela presidente do STM amplia a discussão sobre como devem ser tratados os casos de violência doméstica envolvendo integrantes das Forças Armadas.

O ponto central é garantir que a vítima tenha acesso a medidas capazes de protegê-la de novas agressões, independentemente da carreira que exerce.

O debate também envolve a divisão de competências entre a Justiça Militar e a Justiça comum e a necessidade de compatibilizar as regras específicas das Forças Armadas com os mecanismos previstos pela legislação de proteção às mulheres.

A discussão deve continuar sendo acompanhada pelo meio jurídico, principalmente diante da necessidade de garantir que mulheres em diferentes contextos profissionais tenham acesso efetivo aos instrumentos de prevenção e proteção previstos pela Lei Maria da Penha.

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