A Polícia Federal avançou na investigação sobre uma suposta articulação para realizar ataques em Brasília e identificou novos elementos que podem ajudar a esclarecer a estrutura e os objetivos do grupo monitorado na Operação Rede Interrompida.
A ação foi deflagrada na terça-feira (4) para apurar suspeitas de planejamento de atentados contra autoridades e prédios públicos na capital federal.
Informações divulgadas pelo Fantástico neste domingo (9) apontam que as articulações investigadas aconteciam principalmente por meio de dois grupos no Telegram. Segundo a apuração, os participantes eram homens que, até o momento, não teriam mantido encontros presenciais entre si.
Um dos grupos possuía mais de 600 integrantes e apresentava uma dinâmica mais abrangente de comunicação. O segundo, considerado fechado, reunia 46 pessoas e concentrava conversas relacionadas à possibilidade de realização de ações violentas.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades distribuídas por cinco estados. Celulares, computadores e outros equipamentos recolhidos durante as diligências foram encaminhados para análise dos investigadores.
Conversas citavam explosivos e possíveis alvos
De acordo com os elementos reunidos pela investigação, integrantes do grupo restrito discutiam assuntos relacionados à produção de explosivos, coquetéis Molotov e outros artefatos.
Também foram encontrados materiais que indicavam interesse por locais específicos de Brasília. Entre os documentos analisados estavam mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Outro material localizado pelos investigadores era uma planta baixa do Palácio do Planalto com marcações que indicariam possíveis pontos de acesso e saída do edifício.
As autoridades também identificaram cálculos envolvendo quantidades de explosivos e estimativas de custos para uma eventual execução das ações. As conversas analisadas ainda faziam referência a possíveis alvos e à maneira como os planos poderiam ser colocados em prática.
Ministro aponta gravidade das conversas
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que o conteúdo encontrado apresentava características que, na avaliação das autoridades, iam além de manifestações feitas apenas no ambiente virtual.
Segundo o ministro, as mensagens indicavam discussões relacionadas a possíveis atentados de maior gravidade.
Parte do material passou por análise do Ciberlab, laboratório do Ministério da Justiça especializado na apuração de crimes cometidos no ambiente digital. O relatório produzido pelo órgão classificou o conteúdo investigado como de elevada periculosidade.
Investigação identificou discursos extremistas
A análise realizada pelas autoridades também apontou referências a conteúdos associados à ideologia neonazista, misoginia e estímulo à violência.
Segundo os dados apresentados na investigação, o Ciberlab produziu, somente em 2026, 103 relatórios relacionados a mais de 50 grupos classificados como grupos de ódio.
A Polícia Federal avalia a possibilidade de que integrantes do grupo investigado pudessem avançar da discussão virtual para a execução dos atos mencionados nas conversas. Essa hipótese, porém, ainda faz parte da investigação e deverá ser confrontada com os demais elementos recolhidos durante a operação.
Equipamentos apreendidos passam por perícia
Após as buscas realizadas em oito cidades, os investigadores concentram esforços na análise dos dados armazenados nos celulares, computadores e demais dispositivos apreendidos.
O objetivo é identificar quem participava das articulações, compreender o grau de organização do grupo e verificar se existiam vínculos entre os diferentes integrantes.
A Operação Rede Interrompida continua em andamento. As informações divulgadas até agora fazem parte de uma investigação ainda em curso e não significam condenação dos suspeitos, que permanecem submetidos ao devido processo legal.
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