A Operação Carbono Oculto, deflagrada na última quinta-feira (28) pela Polícia Federal com apoio da Receita Federal, Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Estadual de São Paulo, continua a reverberar no cenário político e econômico. O epicentro das discussões agora é o empresário Mohamad Hussein Mourad, um dos alvos da ação, que em um vídeo gravado e divulgado no programa Direto da Redação, “arrasta o bode para a sala” do governador do Rio, Cláudio Castro.
Mourad denuncia que estaria sendo ameaçado por pessoas ligadas ao empresário e concorrente Ricardo Magro, com a iminente deflagração de uma suposta nova operação no Rio de Janeiro.
Mohamad Hussein Mourad é apontado pelas investigações da Receita e da PF como o líder de uma complexa engenharia criminosa que envolve até o Primeiro Comando da Capital (PCC). As apurações, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), revelam um esquema bilionário de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem econômica no setor de combustíveis.
No vídeo em questão, Mourad alega que as acusações contra ele são baseadas em “ilações” de Ricardo Magro, e que este, por meio do “controle que exerce sobre autoridades no Rio de Janeiro”, estaria anunciando uma próxima operação. “Temo pela minha vida e da minha família”, declara o empresário.
Embora Mourad afirme confiar no governador e na Secretaria de Segurança do Estado, fontes ligadas ao mercado de combustíveis sugerem que a menção a Cláudio Castro poderia indicar supostas ligações entre o governador e Magro.
O outro lado da trama: Ricardo Magro e o esquema bilionário
Ricardo Magro, empresário do setor e concorrente de Mourad, emerge como uma figura central e igualmente controversa nesta trama. Apontado como um dos maiores sonegadores de impostos do país, Magro acumula débitos bilionários nas secretarias de Fazenda do Rio e de São Paulo.
Suas empresas, Refit e Rodopetro, distribuidoras de combustíveis, também foram alvos da Polícia Federal na Operação Carbono Oculto. Atualmente residindo em Miami, nos EUA, Magro deixou o Brasil após ser preso em uma operação que investigava fraudes em Fundos de Pensão, adicionando mais um capítulo à sua já densa ficha.
R$ 40 bilhões e o vácuo regulatório das fintechs
As investigações da Operação Carbono Oculto revelaram a impressionante movimentação de mais de R$ 40 bilhões pelo crime organizado desde 2020, evidenciando a grandiosidade do esquema bilionário no setor de combustíveis.
O modus operandi criminoso utilizava instituições financeiras, como corretoras e fundos de investimentos, para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos com atividades ilícitas, misturando o lícito com o ilícito e dificultando sobremaneira o rastreamento.
Um dos pontos cruciais desvendados pela operação foi o uso intensivo de fintechs para movimentar e ocultar a fonte do dinheiro ilícito. Até então, essas empresas não estavam submetidas às mesmas exigências de transparência e declaração impostas aos bancos tradicionais, criando um “vácuo regulatório” que foi largamente explorado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro.
Em resposta a essa lacuna, o governo federal anunciou que as fintechs serão obrigadas a declarar à Receita Federal movimentações de alto valor, equiparando-as às demais instituições financeiras.
A própria Receita Federal lembrou que já havia publicado uma instrução normativa estendendo essas obrigações no ano passado, mas a norma foi revogada em janeiro deste ano devido a uma onda de fake news sobre a tributação do Pix – um retrocesso que, em retrospectiva, pode ter contribuído para a continuidade das práticas criminosas que agora vêm à tona com a Operação Carbono Oculto.
A complexidade do caso e as denúncias de Mohamad Mourad prometem novos e importantes desdobramentos nos próximos dias.
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