Um novo equipamento voltado ao monitoramento ambiental promete ampliar o controle da qualidade do ar em regiões pouco atendidas no Brasil.
Desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia em parceria com a Universidade Federal do Pará, o sensor de baixo custo será apresentado nesta segunda-feira durante o Acampamento Terra Livre, realizado em Brasília.
A proposta é ampliar o alcance da medição da qualidade do ar, especialmente fora dos grandes centros urbanos. Segundo o pesquisador Filipe Viegas Arruda, a iniciativa busca garantir que o monitoramento previsto na Lei 14.850 de 2024 alcance comunidades tradicionais, unidades de conservação e propriedades rurais.
Dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima mostram que o país possui atualmente 570 estações de monitoramento da qualidade do ar, mas apenas 12 estão em Terras Indígenas, evidenciando a desigualdade na cobertura.
Para reduzir essa lacuna, será iniciada a distribuição de 60 sensores por meio da rede Conexão Povos da Floresta, que reúne entidades como a , a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e o Conselho Nacional de Saúde.
A partir dessa base, será estruturada a RedeAr, com início previsto para setembro.
A RedeAr terá como objetivo monitorar não apenas a poluição do ar, mas também variáveis como umidade e temperatura em áreas da Amazônia Legal.
Os dados coletados deverão ser integrados a informações de saúde, incluindo registros da Secretaria Nacional de Saúde Indígena e do sistema Telesaúde, permitindo análises mais amplas sobre os impactos ambientais na saúde das populações locais.
Estudos do Ipam indicam que, em 2024, eventos extremos como secas agravadas por queimadas resultaram em 138 dias com qualidade do ar considerada prejudicial na região amazônica. O dado contraria a percepção comum de que a floresta mantém níveis elevados de ar puro.
Do ponto de vista tecnológico, o sensor apresenta vantagens em relação aos modelos atuais, que em sua maioria são importados. Além de mais acessível, o equipamento foi adaptado às condições da floresta, com proteção contra insetos, poeira e outros fatores que afetam dispositivos convencionais.
Outro diferencial é a capacidade de armazenar dados localmente em caso de falhas de conexão, além da possibilidade de integração com outros sistemas de monitoramento.
A expectativa é que o número de sensores instalados chegue a 200 até o final do ano.
A iniciativa também pretende incentivar ações de educação ambiental e fortalecer políticas públicas de prevenção e combate às queimadas, ampliando a participação de comunidades locais na preservação.
O equipamento ficará em exposição durante a programação do evento, que segue até o dia 11 de abril na capital federal.
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