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Morte de Octavio Gallotti aos 95 anos mobiliza homenagens no Judiciário

Ex-presidente do Supremo participou da consolidação da Constituição de 1988 e será velado nesta segunda-feira, em Brasília.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
26/07/2026 - 19:19
em Brasil
Octavio Gallotti, ex-presidente do STF, morre aos 95 anos. Ministro aposentado teve atuação marcante na consolidação da Constituição de 1988.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

Um dos magistrados que acompanharam as principais transformações institucionais do Brasil no fim do século XX, Octavio Gallotti morreu aos 95 anos. A confirmação do falecimento, neste domingo (26), provocou manifestações de pesar de integrantes do Judiciário e de instituições jurídicas do país.

Ministro aposentado e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Gallotti integrou a Corte durante 16 anos. Sua atuação atravessou o período final do regime militar, a redemocratização e os primeiros anos de aplicação da Constituição Federal de 1988.

O Supremo destacou, em nota, a contribuição do magistrado para o fortalecimento das instituições democráticas e informou os detalhes das cerimônias de despedida.

Velório será aberto ao público

O corpo de Octavio Gallotti será velado nesta segunda-feira (27), das 10h às 17h, no Salão Branco do Supremo Tribunal Federal, em Brasília.

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A cerimônia será aberta ao público. O sepultamento está previsto para terça-feira (28), no Rio de Janeiro, cidade onde o ex-ministro nasceu.

A causa da morte não havia sido informada oficialmente.

Trajetória de 16 anos no Supremo

Gallotti tomou posse no STF em novembro de 1984 e permaneceu no tribunal até outubro de 2000, quando se aposentou.

Durante esse período, participou da análise de questões importantes para a consolidação do novo sistema constitucional brasileiro.

A promulgação da Constituição de 1988 ampliou direitos, reorganizou as competências das instituições e estabeleceu novas garantias democráticas. Coube ao Supremo interpretar diversas dessas normas nos anos seguintes.

Gallotti participou da construção dessa jurisprudência e acompanhou o processo de adaptação do Judiciário ao novo texto constitucional.

Presidência da Corte

O ministro assumiu a Presidência do STF em maio de 1993 e permaneceu no cargo até maio de 1995.

Durante sua passagem pelo comando do tribunal, o Brasil ainda vivia uma fase de fortalecimento das instituições depois da redemocratização.

Gallotti também atuou no Tribunal Superior Eleitoral e presidiu a Corte eleitoral entre março e maio de 1991.

Antes de chegar ao Supremo, integrou o Tribunal de Contas da União, instituição que também chegou a presidir.

Fachin destaca independência e serenidade

O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que a trajetória de Octavio Gallotti foi marcada pela cultura jurídica, pelo espírito público e pelo compromisso com a Constituição.

Segundo Fachin, o ex-ministro exerceu suas funções com independência, serenidade e elevado senso de responsabilidade.

O presidente do Supremo ressaltou ainda características como integridade, prudência e dedicação à defesa do Estado Democrático de Direito.

Na avaliação de Fachin, o legado de Gallotti não está restrito às decisões proferidas durante sua passagem pela Corte. Sua atuação também contribuiu para a formação de juristas e para o fortalecimento da confiança da sociedade no Poder Judiciário.

MPF ressalta rigor técnico

O Ministério Público Federal também lamentou a morte do ex-presidente do STF.

Em nota, a instituição afirmou que a carreira de Gallotti foi orientada pelo equilíbrio, pela independência e pelo rigor técnico.

O MPF destacou ainda sua contribuição para o Direito brasileiro, para o fortalecimento das instituições nacionais e para a consolidação do Estado Democrático de Direito.

Representantes de outras entidades jurídicas também prestaram homenagens e manifestaram solidariedade aos familiares e amigos do magistrado.

Formação e tradição familiar

Nascido no Rio de Janeiro, Octavio Gallotti formou-se em Direito em 1953 pela Faculdade Nacional de Direito da antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A ligação de sua família com o Judiciário atravessou gerações. Seu pai, Luiz Gallotti, também foi ministro e presidente do STF.

Octavio Gallotti era pai da ministra Maria Isabel Gallotti, integrante do Superior Tribunal de Justiça.

Participação em período decisivo

A trajetória do magistrado coincidiu com uma das fases mais importantes da história recente do país.

Ao ingressar no Supremo, o Brasil ainda estava sob o regime militar. Durante sua permanência na Corte, acompanhou a retomada das eleições presidenciais diretas, a promulgação da Constituição de 1988 e a consolidação das instituições democráticas.

Sua atuação contribuiu para definir interpretações jurídicas que orientaram o funcionamento do Estado brasileiro no período posterior à redemocratização.

A morte de Octavio Gallotti encerra uma carreira marcada pela participação em importantes transformações institucionais e pela defesa da legalidade, da Constituição e da independência do Poder Judiciário.

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