Pessoas que procuram alternativas para renegociar dívidas estão sendo alvo de anúncios fraudulentos publicados nas redes sociais.
Os criminosos utilizam nomes de programas inexistentes, identidade visual de instituições conhecidas e mensagens que simulam comunicações oficiais para tentar convencer as vítimas.
A prática foi identificada pelo NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em um levantamento realizado entre abril e junho deste ano. Durante o período, foram localizados 544 anúncios considerados enganosos nas plataformas da Meta.
Segundo a pesquisa, 38% das propagandas analisadas contaram com algum tipo de auxílio de inteligência artificial na produção do conteúdo.
A tecnologia pode facilitar a criação de textos e imagens com aparência mais profissional, tornando as mensagens fraudulentas mais convincentes para os usuários.
Programa falso aparece em quase metade dos anúncios
Um dos principais recursos utilizados nas campanhas identificadas foi o nome “Libera Brasil”. Apesar de o suposto programa não existir, ele apareceu em 49% dos anúncios analisados como se fosse uma iniciativa oficial destinada a facilitar a negociação de dívidas.
O levantamento também apontou o uso indevido de elementos relacionados ao governo e a empresas conhecidas. Nomes, símbolos, imagens e outros recursos visuais associados a instituições reconhecidas foram identificados em 72% das propagandas investigadas.
A estratégia busca criar uma aparência de legitimidade e aumentar a confiança dos usuários antes de direcioná-los para canais controlados pelos golpistas.
Links podem levar a tentativas de fraude
O Ministério da Fazenda alerta que consumidores devem ter atenção redobrada diante de anúncios e mensagens relacionados à renegociação de dívidas publicados em plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp.
Os conteúdos fraudulentos podem utilizar elementos visuais associados ao Governo Federal e apresentar supostas oportunidades para quitar débitos. Em seguida, as vítimas podem ser direcionadas para sites, formulários ou canais de atendimento falsos.
Nesses ambientes, os criminosos podem tentar obter informações pessoais, induzir o usuário a realizar pagamentos ou solicitar procedimentos que não fazem parte de nenhuma iniciativa oficial.
Como evitar cair no golpe
O Ministério da Fazenda orienta que a renegociação seja feita diretamente com a instituição financeira responsável pela dívida.
A pasta também esclarece que o governo não possui sites específicos destinados à negociação de débitos dessa natureza e não envia links, mensagens ou SMS oferecendo esse tipo de serviço.
A recomendação é desconfiar de anúncios que prometam facilidades ou condições de negociação por meio de links recebidos pela internet.
Antes de fornecer informações pessoais, realizar pagamentos ou seguir orientações recebidas por mensagens, o consumidor deve verificar a origem da comunicação e buscar informações diretamente nos canais oficiais das instituições envolvidas.
A atenção é especialmente importante diante do uso crescente de ferramentas de inteligência artificial na produção de conteúdos fraudulentos, que podem dificultar a identificação de anúncios falsos.
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