O Brasil registrou uma queda significativa nas emissões de gases do efeito estufa em 2024, totalizando 2,145 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO₂e). O número representa uma redução de 16,7% em relação a 2023, quando foram emitidas 2,576 GtCO₂e. Considerando as emissões líquidas — que descontam a absorção de carbono por florestas e áreas protegidas —, a redução foi ainda maior, de 22%.
Os dados são do Observatório do Clima e fazem parte da 13ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgado nesta segunda-feira (3). O levantamento abrange cinco grandes setores: mudança no uso da terra, agropecuária, energia, processos industriais e resíduos.
A redução é a maior registrada em 16 anos e a segunda mais expressiva desde o início da série histórica, em 1990. Segundo Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, o resultado reforça a posição do Brasil no cenário internacional às vésperas da COP30. “Dificilmente outro país do G20 chegará à conferência com uma queda tão expressiva nas emissões totais quanto o Brasil”, afirmou.
Desmatamento em queda impulsiona resultado
O setor de mudança de uso da terra, historicamente o principal responsável pelas emissões brasileiras, respondeu por 42% do total em 2024 — cerca de 906 milhões de toneladas de CO₂e. Desse montante, 98% estão ligados ao desmatamento.
De acordo com Bárbara Zimbres, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o recuo é reflexo do fortalecimento das ações de controle ambiental. “No último ano, tivemos uma redução de 32% nas emissões brutas do setor”, afirmou.
A Amazônia apresentou a queda mais expressiva, com redução de 41% nas emissões, seguida pelo Cerrado, com 20%. O Pantanal também se destacou, registrando diminuição proporcional de 66%. Apenas o Pampa teve aumento, de 6%.
Entre os estados, Rondônia (-65%), Pará (-44%) e Mato Grosso (-44%) lideraram a redução. Por outro lado, Minas Gerais, Piauí, Roraima, Rio Grande do Sul e Sergipe tiveram aumento nas emissões.
Panorama setorial
Além do desmatamento, o setor agropecuário reduziu suas emissões em 0,7%. Já os setores de energia (+0,8%), processos industriais (+2,8%) e resíduos (+3,6%) apresentaram alta.
Quando consideradas as remoções de carbono por áreas protegidas e florestas secundárias, o total de emissões líquidas do Brasil em 2024 foi de 1,49 GtCO₂e. O setor de uso da terra, com queda de 64% nas emissões líquidas, passou a ocupar a segunda posição entre os maiores emissores, representando 17% do total. A agropecuária, por sua vez, lidera com 42%.
Queimadas preocupam especialistas
O SEEG não contabiliza as queimadas no inventário oficial, mas o estudo alerta para o impacto crescente do fogo sobre o clima. Segundo Bárbara Zimbres, “quase todos os biomas brasileiros tiveram aumento expressivo da área queimada em 2024”, o que fez as emissões por queimadas mais que dobrarem.
Caso esses incêndios fossem incluídos nas estimativas oficiais, as emissões líquidas poderiam subir até 30% na última década — e, em 2024, praticamente dobrariam no setor de uso do solo.
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