A suspensão parcial da produção da Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) provocou intensa reação nas redes sociais entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desde o anúncio da medida, em 7 de maio, usuários passaram a defender publicamente a empresa e incentivar a compra de produtos da marca.
Diversas publicações afirmavam que consumidores identificados com a direita continuariam adquirindo itens da Ypê, apesar da decisão da agência reguladora.
Em meio à repercussão, vídeos também passaram a circular mostrando apoiadores ingerindo detergentes e outros produtos de limpeza da marca em protesto contra a medida da Anvisa.
A mobilização ganhou força após a suspensão de linhas de produção da fábrica da empresa localizada em Amparo, no interior de São Paulo. Parte dos internautas associou a fiscalização ao fato de proprietários da companhia terem realizado doações à campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022.
Vídeos polêmicos tomaram conta do X após a decisão da Anvisa: apoiadores da Ypê apareceram ingerindo detergente e produtos de limpeza diante das câmeras em ato de protesto. As imagens viralizaram entre perfis ligados à direita nas redes sociais. pic.twitter.com/OpiqYOOe13
— Diário da Guanabara (@diarioguanabara) May 12, 2026
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou em suas redes sociais uma imagem de detergente da Ypê, enquanto o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo, incentivou seguidores a divulgarem produtos da marca nas plataformas digitais.
Segundo a Anvisa, inspeções identificaram falhas nos sistemas de controle de qualidade e nos processos de fabricação da unidade. De acordo com a agência, as irregularidades podem representar risco sanitário, incluindo possibilidade de contaminação microbiológica.
Mesmo após a empresa conseguir efeito suspensivo por meio de recurso administrativo, a Anvisa manteve a orientação para que consumidores evitem utilizar os produtos atingidos pela medida.
A decisão envolve detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes identificados por lotes com numeração final 1.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a pasta acompanha a circulação dos vídeos em que pessoas aparecem ingerindo produtos químicos e informou que a Anvisa avalia possíveis providências jurídicas relacionadas ao caso.
Em nota, a Ypê declarou que mantém interrompidas, desde 7 de maio, as linhas de produção de produtos líquidos da unidade fiscalizada, incluindo lava-roupas, lava-louças e desinfetantes relacionados aos lotes investigados. A empresa informou ainda que segue trabalhando para atender às exigências apontadas pela fiscalização.
A diretoria colegiada da Anvisa deve analisar nesta quarta-feira (13) o recurso apresentado pela fabricante contra a suspensão parcial da fabricação e comercialização dos produtos.
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