Ligada ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, a deputada estadual Lucinha (PSD) é uma das investigadas no âmbito da Operação Batismo, deflagrada pela Polícia Federal e Ministério Público Estadual (MPRJ) nesta segunda-feira (18). Ela é suspeita de ligação com as milícias na zona oeste da capital fluminense. Uma assessora da parlamentar também é investigada.
Os agentes da PF cumpriram oito mandados de busca e apreensão nos bairros de Campo Grande, Santa Cruz e Inhoaíba, na Zona Oeste, e também no gabinete da deputada, na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj).
As investigações apontam indícios de ligação de Lucinha com o miliciano Luis Antônio da Silva Braga, o Zinho, que atua, principalmente, na Zona Oeste carioca. Na casa da parlamentar foram apreendidos cerca de R$ 140 mil e duas armas.
Além dos mandados, a justiça determinou o afastamento imediato das funções legislativas da deputada Lucinha; a proibição de manter contatos com determinados agentes públicos e políticos; assim como a proibição de frequentar a casa legislativa.
Parlamentar seria braço político da milícia
As investigações apontam a participação ativa da parlamentar e de sua assessora na organização criminosa, especialmente na articulação política junto aos órgãos públicos, visando atender os interesses do grupo miliciano, que é investigado por organização criminosa, tráfico de armas de fogo e munições, homicídios, além de extorsão e corrupção.
A operação Batismo é um desdobramento da operação Dinastia, realizada em agosto do ano passado, com o objetivo de desarticular a organização criminosa formada por milicianos que atuam na zona oeste da capital.
Outro lado
Alguns parlamentares da Alerj foram cautelosos ao comentar o tema ou manifestaram apoio a colega. Citado em reportagem de O Globo, o presidente do legislativo, Rodrigo Bacellar (PL), destacou que, apesar da acusação contra a parlamentar “ser séria”, espera que ela “consiga provar inocência”.
“A acusação é muito séria. A gente está num combate muito forte com a segurança pública, que está caótica no Rio. A gente está tentando melhorar em esforços conjuntos da Assembleia Legislativa e o Governo do Estado, mas, repito, eu desejo que a colega Lucinha consiga esclarecer esse episódio e consiga provar a inocência dela. No mais, estou aqui cumprindo meu dever enquanto presidente da casa. Eu vim trabalhar mas, claro, vim um pouco antes”, disse Bacellar.
O deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha, colega de partido de Lucinha, afirmou que “ao longo dos anos a deputada jamais assumiu posição a favor da milícia”. “Agora, toda investigação deve ser feita”, defendeu o deputado.
Luiz Paulo disse ainda que a cidade do Rio tem dezenas de regiões dominadas pelas milícias e que, apesar do poder paralelo, “muitos parlamentares trabalham nessas áreas”.
“É impossível se dar apoio à milícia. É impossível se dar apoio a narcotráfico. Isso tudo é crime, e como tal não pode acontecer. Agora, que há, evidentemente, nessas áreas, uma pressão de milícias, do narcotráfico em cima de toda a comunidade, então, tipo, dúvida nenhuma”, afirmou o deputado.
A reportagem tentou contato com a assessoria da deputada Lucinha, mas não houve retorno.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações da EBC e O Globo. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.










