A aprovação de Marcelo Gomes Viana Lopes, conhecido como Marcelinho, em terceiro lugar no curso de Engenharia Mecânica da Universidade de Fortaleza (Unifor) foi motivo de comemoração para toda a família. Aos apenas 10 anos, o menino decidiu fazer o vestibular para testar seus conhecimentos e acabou conquistando uma colocação que surpreendeu até mesmo quem acompanha de perto seu desenvolvimento.
Em entrevista ao jornal Terra, Marcelinho contou que ficou feliz com o resultado e lembrou a reação dos familiares quando receberam a notícia. Segundo ele, a prova exigiu um pouco mais de conhecimento do que as olimpíadas científicas das quais costuma participar, mas conseguiu manter a concentração durante o exame.
“Fiquei muito feliz, foi uma gritaria. Achei a prova um pouquinho mais difícil do que o nível das olimpíadas científicas que eu faço. Fiquei nervoso, mas fiz a prova direitinho, e deu tudo certo”, relatou.
O interesse pela Engenharia Mecânica também tem influência dentro de casa. Seu pai, Marcelo Viana Barbosa Lopes, trabalha na mesma área e acabou se tornando uma referência para o menino. No entanto, a vontade de seguir esse caminho profissional ganhou ainda mais força depois que Marcelinho começou a participar da Equipe Wigpédia de Foguetes.
A experiência despertou sua curiosidade pela exploração espacial e ajudou a definir um objetivo para o futuro: tornar-se astronauta. Durante suas pesquisas, ele descobriu que a Engenharia Mecânica pode oferecer conhecimentos importantes para quem pretende trabalhar nesse setor.
“Quero ser astronauta no futuro, esse é um sonho que tenho desde pequeno. (…) Pesquisando, eu vi que engenharia mecânica vai realmente ser muito importante para essa área”, explicou.
A mãe, Tatiana da Silva Gomes, que é contabilista e advogada, também comemorou a conquista. Ela contou que sempre confiou no potencial do filho e acreditava que ele poderia conseguir a aprovação, mas não imaginava que alcançaria o terceiro lugar.
“Eu imaginei que ele ia passar, porque a gente sempre acredita. A minha surpresa foi no terceiro lugar, eu não imaginava”, afirmou.
Altas habilidades e mais de 150 medalhas
O desempenho de Marcelinho nas competições acadêmicas acompanha uma trajetória de desenvolvimento que começou muito cedo. De acordo com a mãe, ele começou a falar aos seis meses de vida e já estava alfabetizado aos dois anos de idade.
Quando tinha seis anos, o menino passou por uma avaliação que identificou altas habilidades. O resultado apontou um quociente de inteligência (QI) de 138, medido pela Escala Wechsler de Inteligência.
Atualmente, Marcelinho faz parte da Intertel e da Mensa, organizações internacionais que reúnem pessoas com resultados elevados em avaliações de capacidade intelectual.
Outro destaque de sua trajetória é a participação em olimpíadas científicas. Ao longo dos anos, ele conquistou mais de 150 medalhas em competições de diferentes áreas do conhecimento, acumulando experiências que contribuíram para ampliar seu interesse pelos estudos.
Família se mudou para Fortaleza em busca de oportunidades
A mudança para Fortaleza, no Ceará, aconteceu em 2024, depois que Marcelinho conseguiu uma bolsa de estudos integral no Colégio Farias Brito. A oportunidade levou a família a deixar a Bahia para acompanhar de perto a formação do menino.
Atualmente, ele cursa o sétimo ano do ensino fundamental. Apesar da aprovação no vestibular da Unifor, a família não pretende antecipar sua trajetória escolar nem entrar na Justiça para tentar conseguir uma vaga na universidade.
A decisão é permitir que Marcelinho continue avançando dentro das etapas regulares de ensino, sem deixar de lado as atividades que fazem parte de sua rotina.
Além dos estudos e das competições científicas, o menino pratica jiu-jitsu, natação e xadrez. Ele também encontrou nas redes sociais uma maneira de compartilhar conhecimentos e incentivar outras crianças e adolescentes a se interessarem pelas ciências.
Para isso, criou o canal Marcelinho Ensina, no YouTube, onde publica vídeos com explicações e conteúdos educativos, principalmente sobre matemática e física.
A iniciativa permite que ele transforme parte do que aprende em material acessível a outros estudantes. Enquanto segue acumulando experiências acadêmicas, Marcelinho mantém vivo o sonho de trabalhar com exploração espacial e, quem sabe no futuro, chegar ao espaço como astronauta.
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