A seca que atinge o Amazonas continua provocando dificuldades para moradores de diferentes regiões do estado. Segundo boletim da Defesa Civil divulgado no início de novembro, 47 municípios estão em situação de emergência e outros 15 permanecem em alerta por causa da redução do nível dos rios.
O levantamento divulgado em 1º de novembro contabilizava 146.425 famílias afetadas pela estiagem. Uma atualização referente a 3 de novembro passou a apontar 129.786 famílias, mantendo os mesmos números de municípios em emergência e alerta.
A redução do nível dos rios prejudica principalmente as comunidades que dependem do transporte fluvial para chegar a hospitais, escolas, mercados e outras localidades. Em muitas regiões, as embarcações são o principal meio de deslocamento de moradores e de transporte de mercadorias.
Além da falta de chuva, o Amazonas enfrenta os efeitos das queimadas, que espalham fumaça e comprometem a qualidade do ar.
Rios baixos dificultam a rotina das comunidades
A estiagem afeta diretamente a navegação pelos rios amazônicos.
Com a redução da profundidade, embarcações enfrentam dificuldades para atravessar determinados trechos, principalmente nas áreas mais afastadas dos centros urbanos.
O problema interfere na chegada de alimentos, medicamentos, combustível e água potável. Também dificulta o deslocamento de moradores que precisam de atendimento médico ou dependem dos barcos para trabalhar e estudar.
Entre os municípios classificados em emergência estão Parintins, Manacapuru, Tefé, Maués, Lábrea e Boca do Acre. Manaus, Itacoatiara, Iranduba e Tabatinga aparecem entre as cidades em situação de alerta.
Governo distribui alimentos e caixas d’água
Para atender as famílias atingidas, o governo estadual colocou em prática a Operação Estiagem 2026.
De acordo com o balanço divulgado no início de novembro, a primeira fase da operação alcançou 15 municípios.
Foram distribuídas 4.800 cestas básicas, equivalentes a aproximadamente 96 toneladas de alimentos, além de 3.400 kits de limpeza e 3.060 caixas d’água com capacidade para 500 litros.
Também foram enviados reservatórios de maior capacidade e equipamentos destinados à purificação de água.
As entregas devem continuar de acordo com o acompanhamento das condições dos rios e das necessidades identificadas em cada município.
Queimadas pioram a qualidade do ar
A fumaça dos incêndios florestais tornou a situação ainda mais preocupante.
No boletim divulgado em 1º de novembro, Parintins apresentou qualidade do ar classificada como péssima. Outros 11 municípios registraram condições entre ruim e muito ruim.
A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos, tosse, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com asma ou outros problemas pulmonares.
Em períodos de maior concentração de poluentes, autoridades de saúde recomendam reduzir atividades físicas ao ar livre, manter a hidratação e procurar atendimento médico em caso de dificuldade para respirar.
Bombeiros e brigadistas atuam contra os incêndios
O combate às queimadas mobiliza equipes estaduais e federais.
Segundo o balanço divulgado no início de novembro, aproximadamente 1.500 profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, participavam das operações, com apoio de aeronaves.
O trabalho inclui combate direto às chamas, monitoramento de focos de calor e fiscalização de áreas com risco de incêndios.
O governo estadual também estabeleceu restrições ao uso do fogo e medidas de emergência ambiental para enfrentar os efeitos da estiagem.
Crise exige acompanhamento permanente
A situação dos rios continua sendo monitorada pela Defesa Civil e por órgãos ambientais.
Mesmo com a distribuição de suprimentos, a recuperação das condições de transporte e abastecimento depende da evolução do regime de chuvas e da elevação dos níveis dos rios.
Para as comunidades ribeirinhas, os efeitos da seca vão além da dificuldade de locomoção. A estiagem interfere no acesso a serviços básicos, na atividade econômica e na segurança alimentar.
A crise foi destaque do programa Direto da Redação, que apresentou reportagem de Fernando Reis, da TV Encontro das Águas, sobre os impactos da estiagem e o trabalho das equipes de assistência e combate aos incêndios no Amazonas.
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