Um petroleiro foi alvo de um ataque com explosivos enquanto atravessava o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte mundial de petróleo. Dois dispositivos foram colocados diretamente no casco por ocupantes de uma pequena embarcação, provocando explosões e um incêndio na casa de máquinas.
O incidente aconteceu na noite de quinta-feira (29), a cerca de 25 milhas náuticas, aproximadamente 46 quilômetros, a nordeste de Khasab, em Omã. A embarcação seguia para fora do estreito quando foi abordada pelo pequeno barco.
De acordo com a United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), órgão britânico que monitora a segurança da navegação na região, os artefatos foram fixados no lado esquerdo do casco, acima da linha d’água. As detonações atingiram a região da casa de máquinas e deixaram o navio temporariamente sem condições de continuar navegando.
Apesar do impacto, não houve registro de feridos entre os tripulantes. O incêndio foi controlado e, segundo a atualização divulgada pela UKMTO nesta sexta-feira (30), não foi identificado dano ambiental. Depois do incidente, o petroleiro conseguiu retomar a viagem em direção ao próximo porto.
A agência britânica não divulgou o nome da embarcação. Fontes de segurança marítima, porém, identificaram o navio como Louise 1, um petroleiro de bandeira panamenha. Avaliações feitas por especialistas indicam que os dispositivos usados no ataque eram do tipo conhecido como limpet mine, explosivo projetado para permanecer aderido ao casco de embarcações.
Até o momento, não há confirmação sobre quem realizou o ataque. Autoridades marítimas continuam investigando o episódio, e a UKMTO recomendou que outras embarcações que trafegam pela região mantenham cautela e comuniquem qualquer atividade suspeita.
O método utilizado chama atenção por ser diferente de boa parte dos ataques registrados recentemente no Estreito de Ormuz. Nos últimos meses, embarcações comerciais já foram atingidas por projéteis e drones, enquanto o uso de explosivos instalados diretamente no casco exige uma aproximação física do navio.
Segundo fontes de segurança marítima, este é o primeiro ataque conhecido com esse tipo de dispositivo a obter sucesso no estreito desde o início do atual conflito entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro. Uma tentativa semelhante teria ocorrido em setembro, mas os explosivos não detonaram.
A possibilidade de uma embarcação de pequeno porte se aproximar de um petroleiro em movimento, instalar explosivos e se afastar antes da detonação aumentou a preocupação de especialistas com a segurança das rotas comerciais. O Estreito de Ormuz possui áreas de navegação estreitas e intenso movimento de navios, o que pode dificultar a identificação imediata de pequenas embarcações que circulam nas proximidades.
A região vive uma escalada de incidentes marítimos desde o início do conflito entre Washington e Teerã. Diferentes navios comerciais foram atingidos nas últimas semanas, aumentando os riscos para empresas de transporte e para o fluxo de energia através do estreito.
O Irã tem afirmado que algumas embarcações atingidas na região desrespeitaram restrições impostas por suas forças militares à navegação. No caso do ataque registrado na quinta-feira, entretanto, não há confirmação de responsabilidade iraniana.
A Guarda Revolucionária iraniana divulgou separadamente informações sobre navios que teriam atingido minas na região, mas não identificou as embarcações. Não é possível confirmar que essas declarações se referem ao mesmo episódio relatado pela UKMTO.
O Louise 1 já havia aparecido em outro episódio envolvendo conflitos internacionais neste ano. Em julho, o petroleiro foi atingido por drones navais ucranianos no Mar Negro. Na ocasião, autoridades ucranianas afirmaram que o navio estaria ligado ao transporte de petróleo russo.
Agora, a investigação deverá buscar esclarecer quem conseguiu se aproximar do petroleiro no Estreito de Ormuz e instalar os explosivos. Enquanto a autoria permanece desconhecida, o episódio adiciona um novo risco à navegação comercial em uma região fundamental para o fornecimento internacional de energia.
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