A Polícia Federal investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, por suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
O caso ganhou repercussão nesta quinta-feira (29), após a divulgação de informações sobre um inquérito aberto em fevereiro de 2026, que tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná.
A investigação, acompanhada pelo Ministério Público Federal (MPF), ocorre em meio a reclamações de investidores que afirmam enfrentar dificuldades para recuperar recursos aplicados em produtos relacionados a criptomoedas.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, a OnilX teria oferecido investimentos com promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês.
A existência do inquérito não representa uma condenação, e as suspeitas ainda dependem de apuração.
Investidores relatam prejuízos e recorrem à Justiça
Clientes da OnilX afirmam que não conseguiram resgatar valores investidos por meio da empresa.
Entre junho e setembro, um levantamento mencionado na reportagem identificou 108 ações judiciais contra o grupo.
Em um dos processos, um casal cobra aproximadamente R$ 876,5 mil. Os investidores afirmam que decidiram manter e ampliar suas aplicações após participar de uma reunião com Paulo Guedes na sede da empresa.
Segundo o relato apresentado à Justiça, a presença do ex-ministro teria transmitido maior confiança no investimento.
Posteriormente, ao tentar recuperar o dinheiro, o casal afirma que encontrou dificuldades para realizar o resgate.
As alegações ainda precisam ser avaliadas judicialmente.
Qual é a ligação de Paulo Guedes com a OnilX?
De acordo com as informações divulgadas, Paulo Guedes teria prestado serviços de consultoria à empresa, participado de reuniões estratégicas e comparecido a encontros com investidores.
Sua imagem também teria sido utilizada em materiais de divulgação da OnilX.
A investigação deverá esclarecer a natureza dessa relação e verificar se existe alguma responsabilidade do ex-ministro nas operações examinadas.
A prestação de consultoria ou a participação em eventos empresariais não constitui, por si só, prova de irregularidade.
CVM já havia determinado suspensão de ofertas
A OnilX também foi alvo de uma medida da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Em janeiro de 2026, a autarquia determinou a suspensão de ofertas públicas relacionadas a serviços de intermediação de valores mobiliários do grupo.
Posteriormente, a CVM esclareceu que a restrição não abrangia automaticamente a simples intermediação de criptoativos, quando não envolvesse produtos enquadrados na legislação de valores mobiliários.
A distinção depende das características de cada operação e das condições oferecidas aos investidores.
O que a Polícia Federal investiga?
O inquérito apura possíveis infrações previstas na Lei nº 7.492/1986, que trata dos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Segundo as informações publicadas, foram realizadas diligências e expedidas intimações durante o andamento da investigação.
Como o procedimento tramita sob sigilo, ainda não são conhecidos publicamente todos os elementos reunidos nem as condutas específicas atribuídas a cada investigado.
O Ministério Público Federal acompanha o caso, que poderá ter novos desdobramentos conforme o avanço das apurações.
Empresa nega irregularidades
A OnilX afirma que atua regularmente no mercado de ativos virtuais e nega a prática de irregularidades.
Segundo a reportagem original, as defesas de Paulo Guedes e Fábio Lino de Almeida foram procuradas, mas não haviam apresentado manifestação até a publicação.
A investigação continua em andamento, e qualquer eventual responsabilização criminal dependerá da comprovação dos fatos e das decisões da Justiça.
Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











