Três viagens de Flávio Bolsonaro (PL) em jatos executivos pela Europa, realizadas entre abril e maio de 2025, foram custeadas por uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de envolvimento no esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo, com base em documentos reunidos pela Polícia Federal.
Segundo a reportagem, os deslocamentos ocorreram entre cidades de Portugal e da França. Os registros apontam que os serviços de aviação executiva foram contratados pela Cathedral Holdings, empresa sediada em Portugal e vinculada ao mercado de apostas online.
Willer Tomaz mantém uma relação de amizade com Flávio Bolsonaro. O advogado também aparece entre os passageiros dos voos, que tiveram a presença de familiares em parte dos trajetos.
A revelação ocorre na reta final da campanha presidencial de 2026, quando Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Viagens passaram por Lisboa, Nice e Paris
Os documentos citados pela Folha identificam três deslocamentos realizados em 2025.
O primeiro ocorreu em 11 de abril, entre Lisboa, capital de Portugal, e Nice, no sul da França. Os outros dois foram registrados em 23 de maio, quando o grupo partiu de Cascais, na região de Lisboa, com destino a Nice, seguindo posteriormente para Paris.
Os voos foram contratados junto à NetJets, empresa especializada em aviação executiva. Entre as aeronaves mencionadas nos registros está o Bombardier Challenger 350, modelo utilizado em viagens particulares e corporativas.
A documentação teria sido encontrada em equipamentos examinados durante as investigações da Polícia Federal.
Embora a Cathedral Holdings apareça como contratante dos serviços, a defesa de Willer Tomaz sustenta que as despesas foram assumidas pessoalmente pelo advogado.
Empresa tem ligação com o mercado de apostas
A Cathedral Holdings também aparece em registros empresariais relacionados à Rede Loto, companhia que atua no setor de apostas online no Brasil e está associada à marca BestBet.
A Rede Loto recebeu autorização da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para operar em 2023, antes da regulamentação federal mais ampla das apostas de quota fixa.
Segundo a apuração jornalística, Willer Tomaz possui vínculos com a estrutura empresarial da holding portuguesa.
A Loterj afirmou que a empresa cumpriu as exigências previstas no processo de autorização e que não foram identificados impedimentos na documentação apresentada.
O pagamento das viagens por uma empresa ligada ao advogado, por si só, não comprova irregularidade ou favorecimento político.
Outra viagem de Flávio Bolsonaro já havia sido revelada
A relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz também apareceu em uma reportagem publicada pela revista piauí, em setembro de 2026.
Na ocasião, a publicação revelou que o senador havia utilizado um jato executivo para retornar de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, a Brasília, em 19 de janeiro de 2025.
A aeronave tinha participação societária de empresas ligadas a empresários, entre eles Willer Tomaz e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro associado ao Banco Master.
Flávio Bolsonaro confirmou que viajou a convite do advogado, de quem declarou ser amigo. O candidato negou qualquer relação com Vorcaro.
A existência de participação societária na aeronave não significa que todos os envolvidos na propriedade tenham participado ou tido conhecimento daquela viagem.
Advogado é investigado no caso das fraudes do INSS
Willer Tomaz é citado em desdobramentos da Operação Sem Desconto, investigação conduzida pela Polícia Federal para apurar descontos associativos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
As apurações buscam identificar os responsáveis pela movimentação de recursos e possíveis estruturas empresariais utilizadas no esquema.
Em agosto de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou diligências relacionadas ao advogado.
A investigação sobre Tomaz não representa condenação. Também não há, nas informações apresentadas sobre os voos, comprovação de que Flávio Bolsonaro tenha participado das fraudes previdenciárias ou recebido as viagens como contrapartida por algum favorecimento.
O que dizem os envolvidos
Flávio Bolsonaro afirma que mantém uma relação pessoal de amizade com Willer Tomaz e nega que essa proximidade esteja relacionada a irregularidades.
Em manifestações anteriores, o senador também declarou não possuir vínculos financeiros ou societários com o advogado e suas empresas.
A defesa de Willer Tomaz sustenta que as viagens tiveram caráter particular, envolvendo amigos e familiares, e que os custos foram assumidos pelo próprio advogado. Os representantes também rejeitam as suspeitas de participação em atividades ilícitas.
Até o momento, as informações divulgadas não demonstram que os deslocamentos tenham ocorrido em troca de benefícios políticos ou comerciais.
O caso acrescenta novos elementos ao debate sobre as relações entre agentes políticos e empresários investigados, mas a eventual existência de irregularidades depende de comprovação pelas autoridades competentes.
*Da Agência Fonte Exclusiva











