Quase 30 anos após a morte da princesa Diana, novas lembranças sobre sua trajetória pessoal, a relação com a família e os bastidores da monarquia britânica chegam ao público pelas mãos de seu irmão, Charles Spencer.
O conde Spencer lança em 22 de setembro “Swan Song: Diana, My Sister” (“Canto do Cisne: Diana, Minha Irmã”), livro no qual revisita a convivência com Diana desde a infância até os acontecimentos que marcaram os dias seguintes à morte da princesa, em agosto de 1997. A editora apresenta a obra como um relato da vida de Diana a partir da perspectiva do irmão.
Spencer afirma que decidiu registrar suas próprias lembranças depois de anos sendo procurado para falar sobre a irmã. Segundo ele, também pesou a vontade de confrontar versões sobre episódios dos quais participou diretamente e que, em sua avaliação, acabaram sendo reproduzidas ao longo do tempo de maneira imprecisa.
Da infância à vida na família real
O livro recupera momentos vividos pelos irmãos antes de Diana se tornar uma das figuras públicas mais conhecidas do mundo. Charles e Diana eram os filhos mais novos da família Spencer e tiveram uma relação próxima durante a infância, marcada também pelo divórcio dos pais e pela passagem por internatos.
A narrativa avança para o período em que Diana se casou com o então príncipe Charles, hoje rei Charles III, e passou a viver sob intensa exposição internacional.
Spencer pretende mostrar uma dimensão mais pessoal da irmã, abordando sua vida familiar, a maternidade e as pressões que acompanharam sua posição dentro da família real.
Funeral de Diana volta ao centro do debate
Um dos capítulos mais delicados envolve os dias posteriores à morte de Diana, vítima de um acidente de carro em Paris, em 31 de agosto de 1997.
Charles Spencer relata discussões internas sobre a organização do funeral, principalmente em torno da decisão de fazer os príncipes William e Harry, então adolescentes, caminharem atrás do caixão da mãe durante o cortejo.
Spencer afirma que se posicionou contra a participação dos sobrinhos. O episódio também já havia sido abordado por Harry em seu livro de memórias, publicado em 2023.
A imagem de William e Harry seguindo o cortejo pelas ruas de Londres, acompanhados pelo pai, pelo avô, príncipe Philip, e por Charles Spencer, tornou-se uma das cenas mais lembradas do funeral.
Versões provocam reação do Palácio
Algumas das lembranças apresentadas por Spencer já provocaram reação do Palácio de Buckingham.
O autor atribui ao então príncipe Charles declarações feitas durante conversas ocorridas após a morte de Diana. O Palácio contestou a versão e afirmou que o impacto do luto pode influenciar lembranças e avaliações de acontecimentos ocorridos há quase três décadas.
Spencer, por sua vez, mantém seu relato e afirma que pretende apresentar os acontecimentos conforme os recorda. Dessa forma, algumas passagens do livro refletem sua perspectiva pessoal e são contestadas pela família real.
Memórias para uma nova geração
Além das controvérsias, “Swan Song” busca reconstruir uma imagem de Diana anterior à fama mundial.
O conde afirma querer mostrar principalmente às gerações que não acompanharam a princesa em vida quem era sua irmã fora das cerimônias oficiais, das manchetes e da intensa atenção da imprensa.
A obra terá 384 páginas e lançamento internacional previsto para 22 de setembro. A edição em inglês será publicada pela Penguin, com versões programadas em diferentes países e idiomas.
Quase três décadas depois da morte de Diana, o interesse por sua história permanece elevado. Com o novo livro, Charles Spencer acrescenta ao vasto conjunto de relatos sobre a princesa uma perspectiva familiar, marcada tanto por lembranças afetivas quanto por sua própria interpretação de episódios que continuam cercados de debate.
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