O Ministério da Saúde avalia incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” para o tratamento da obesidade. A proposta ainda está em fase de estudos e depende da definição de um protocolo clínico que estabeleça quais pacientes poderão receber os medicamentos pela rede pública.
A ideia não é utilizar os remédios para fins estéticos. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a avaliação está voltada a pessoas com obesidade que apresentam situações específicas, como pacientes que aguardam cirurgia bariátrica, pessoas com obesidade associada a problemas cardíacos e mulheres que já passaram por tratamento contra o câncer de mama.
No caso das mulheres que tiveram câncer de mama, o estudo também pretende verificar se o tratamento pode contribuir para reduzir o risco de retorno da doença.
Estudo acompanha pacientes do SUS
Uma das iniciativas em andamento é realizada pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, com acompanhamento de cerca de 250 pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças. O grupo inclui pacientes com indicação para cirurgia bariátrica.
O protocolo utiliza semaglutida e foi criado para avaliar aspectos clínicos, operacionais e econômicos do tratamento. Os primeiros resultados estão previstos para 2027 e deverão ajudar o governo a definir como os medicamentos poderão ser utilizados no SUS.
Governo amplia oferta de medicamentos
Paralelamente aos estudos, o governo trabalha para ampliar a oferta de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 no país. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já conta com 14 produtos registrados para o tratamento da obesidade e outras condições relacionadas.
A ampliação da concorrência também contribuiu para a redução dos preços. De acordo com Padilha, medicamentos que chegavam a custar entre R$ 1,7 mil e R$ 2 mil passaram a ser encontrados na faixa de R$ 300 a R$ 400 em farmácias.
A Anvisa também vem ampliando a fiscalização sobre produtos irregulares vendidos como canetas emagrecedoras. Em 2026, a agência determinou a apreensão e proibiu a comercialização de diferentes produtos sem registro sanitário no Brasil.
Tratamento deve ser acompanhado por mudanças de hábitos
A possível utilização das canetas pelo SUS não deve ser tratada como uma solução isolada para a obesidade. O acompanhamento dos pacientes deverá considerar também alimentação, atividade física e avaliação médica.
Os medicamentos da classe GLP-1 já são utilizados no país para determinadas indicações, mas a oferta pelo SUS depende de uma decisão específica sobre sua incorporação à rede pública. Atualmente, a semaglutida está sob análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Protocolo definirá quem poderá receber
A definição dos critérios de acesso ainda não foi concluída. O protocolo clínico deverá indicar quais pacientes poderão ser tratados com esses medicamentos, em quais situações e sob quais condições de acompanhamento.
A proposta do Ministério da Saúde é que uma eventual oferta seja direcionada a pacientes que realmente apresentem indicação médica, com base nas evidências produzidas pelos estudos e nas regras estabelecidas para o atendimento na rede pública.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.












