Itaboraí recebe neste sábado (19) o evento Panorama Vermelho – A luta da mulher contra a violência, iniciativa voltada à prevenção, ao acolhimento e à orientação de mulheres em situação de vulnerabilidade.
O encontro será realizado a partir das 9h, no auditório da 25ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Centro do município. A programação inclui mesa-redonda, lançamento de uma cartilha digital e uma aula gratuita de defesa pessoal.
Promovido pelo Grupo OAF Assistencial, o evento reunirá profissionais de diferentes áreas, representantes da rede de proteção, integrantes da advocacia e mulheres que passaram por relacionamentos abusivos.
Entre as participantes estão a presidente da Comissão OAB Mulher de Itaboraí, Amanda Souza; a coordenadora da Associação Abrigo Rainha Silvia, Claudineia Rosa Figueiredo; a psicóloga e sexóloga Pâmela Clarissa Lira; e a atleta de MMA Lorrayne Santos.
A mediação será conduzida por Karla Monielly Belchior, CEO do Grupo OAF Assistencial.
Violência contra a mulher permanece em alerta
O debate acontece em meio a números que mantêm a violência de gênero entre os principais desafios de segurança e proteção social no país.

Em 2025, o Brasil registrou 1.571 feminicídios, maior número da série histórica. O resultado representou crescimento de 4%, mesmo diante de uma redução de 8,2% no total de mortes violentas intencionais.
No Estado do Rio de Janeiro, embora os feminicídios tenham apresentado pequena redução, outros tipos de violência contra mulheres avançaram.
Os registros de violência psicológica chegaram a 59.743 vítimas, aumento de 6,3%. Também foram observadas altas em ocorrências relacionadas à violência sexual e moral.
Em Itaboraí, o Núcleo Integrado de Atendimento à Mulher realizou 317 atendimentos em 2024 e 266 em 2025. Nos primeiros seis meses de 2026, 179 mulheres já haviam procurado o serviço.
Informação pode ajudar a romper o ciclo
Um dos objetivos do Panorama Vermelho é mostrar que a violência contra a mulher não começa necessariamente por uma agressão física.
Controle excessivo, ameaças, humilhações, chantagens, isolamento de familiares e amigos e dependência econômica ou emocional também podem fazer parte de uma relação abusiva.
Durante o encontro será lançada uma cartilha digital com orientações para ajudar mulheres a reconhecer esses sinais, entender seus direitos e identificar os serviços de proteção disponíveis.
Para Amanda Souza, presidente da Comissão OAB Mulher de Itaboraí, o acesso à informação pode ser determinante para que uma mulher reconheça a violência ainda nos primeiros sinais e consiga buscar ajuda.
Relatos mostram caminhos de reconstrução
A programação também abrirá espaço para histórias de mulheres que passaram por situações de violência e reconstruíram suas vidas.
Claudineia Rosa Figueiredo, de 53 anos, chegou ao Abrigo Rainha Silvia em 1996, grávida do terceiro filho, desempregada e sem apoio do pai da criança.
Inicialmente, buscava auxílio para realizar o pré-natal. No abrigo, encontrou apoio para retomar os estudos e reorganizar sua trajetória.

Claudineia concluiu a formação em Enfermagem e, posteriormente, passou a atuar no atendimento a mulheres acolhidas pela instituição. Durante esse processo, percebeu que também havia vivido situações de abuso e agressões verbais em relacionamentos anteriores.
Atualmente, ela coordena o Abrigo Rainha Silvia e participa diretamente do acolhimento de outras mulheres em situação de vulnerabilidade.
Outra participante que compartilhará sua experiência é Daiane Coutinho Silva, de 38 anos.
Ela chegou à instituição em 2009, grávida e tentando escapar de um relacionamento abusivo. Depois de deixar o abrigo, Daiane viveu outra relação marcada pela violência doméstica durante 14 anos.
Segundo seu relato, mesmo reconhecendo que vivia uma situação abusiva, a ruptura só foi possível com acompanhamento psicológico, apoio dos filhos e suporte de pessoas próximas.
Mais tarde, ela retornou à instituição como professora mediadora, retomou os estudos e atualmente está perto de concluir a graduação em Pedagogia.
Sinais de um relacionamento abusivo
A psicóloga e sexóloga Pâmela Clarissa Lira explica que alguns comportamentos devem ser observados com atenção.
Entre os sinais estão ciúmes excessivos, controle sobre roupas, amizades, redes sociais e dinheiro, além de ameaças, manipulação, humilhações e tentativas de afastar a vítima de familiares e amigos.
Outro alerta é quando a pessoa passa a medir constantemente o que fala ou faz por medo de provocar conflitos.
A especialista também ressalta que identificar racionalmente uma situação de violência não significa conseguir deixar imediatamente o relacionamento.
Medo, dependência financeira ou emocional, baixa autoestima e vínculos construídos ao longo dos anos podem dificultar a decisão.
Por isso, acompanhamento psicológico e uma rede de apoio são considerados fundamentais para que a mulher consiga romper o ciclo de violência.
Abrigo atende mulheres e crianças
Atualmente, a Associação Abrigo Rainha Silvia acolhe 13 mulheres vítimas de violência e 24 crianças.
A instituição oferece moradia, alimentação e acompanhamento médico, psicológico e jurídico.
As famílias podem permanecer no local por períodos entre seis meses e dois anos. O trabalho busca criar condições para que as mulheres reconstruam sua autonomia e retomem a vida fora do abrigo com maior segurança.
Aula de defesa pessoal encerra programação
O Panorama Vermelho também terá uma atividade prática.
A atleta de MMA Lorrayne Santos participará da mesa-redonda e, ao final do encontro, comandará uma aula gratuita de defesa pessoal.
A proposta é apresentar técnicas básicas que possam contribuir para a percepção de segurança das participantes, sem substituir os demais mecanismos de proteção, acolhimento e atendimento especializados.
Com capacidade para 90 pessoas, o evento pretende reunir informação, orientação profissional, histórias de superação e acesso à rede de proteção.
SERVIÇO
Panorama Vermelho – A luta da mulher contra a violência
Data: sábado, 19 de setembro
Horário: 9h
Local: Auditório da 25ª Subseção da OAB
Endereço: Rua São João, 139, Centro, Itaboraí
Programação: mesa-redonda, lançamento da Cartilha Panorama Vermelho e aula gratuita de defesa pessoal
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