O governo da Rússia reagiu nesta terça-feira (15) à confirmação dos Estados Unidos de que mantêm uma arma ofensiva em órbita da Terra. O Kremlin defendeu que o espaço permaneça livre de armamentos e pediu maior cooperação internacional para evitar o avanço da militarização nesse ambiente.
A declaração foi feita pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, um dia depois de uma autoridade americana reconhecer publicamente a existência do sistema instalado em órbita.
“Esperamos uma ampla cooperação internacional para continuarmos trabalhando e promovendo posições em favor da completa desmilitarização do espaço”, afirmou Peskov.
EUA dizem que arma tem função defensiva
A existência do sistema foi reconhecida pelo secretário da Força Aérea dos Estados Unidos, Troy Meink, durante a conferência anual sobre Ar, Espaço e Ciberespaço, realizada na segunda-feira (14).
Segundo Meink, a implantação está relacionada à necessidade de proteger militares americanos e garantir a capacidade de defesa dos Estados Unidos diante de possíveis ações hostis de outros países.
A declaração representa uma mudança na postura pública de Washington sobre o tema, especialmente porque os Estados Unidos vêm acusando Rússia e China de desenvolver ou testar tecnologias capazes de ameaçar satélites e outros equipamentos utilizados no espaço.
Tecnologia espacial vira foco de disputa
Nos últimos anos, Washington acusou Moscou e Pequim de desenvolver recursos capazes de interferir no funcionamento de satélites. Entre as tecnologias mencionadas estão sistemas de interferência eletrônica e equipamentos baseados em laser.
A confirmação de que os próprios Estados Unidos mantêm um sistema ofensivo em órbita acrescenta uma nova dimensão à disputa entre as grandes potências militares pela segurança e pelo controle de tecnologias espaciais.
O tema é considerado estratégico porque satélites são utilizados em áreas como comunicação, navegação, inteligência e operações militares.
Rússia pede espaço sem armas
A posição apresentada pelo Kremlin reforça a defesa russa de que a órbita terrestre não seja utilizada para a instalação de armamentos.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos afirmam que seus recursos espaciais são necessários para proteger as forças americanas diante de possíveis ameaças.
A divergência entre as duas potências ocorre em meio ao aumento das preocupações internacionais sobre o desenvolvimento de tecnologias capazes de atingir, inutilizar ou interferir em satélites. A possibilidade de uma corrida armamentista no espaço também é acompanhada por outros países, que defendem regras internacionais para limitar a presença de armas em órbita.
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