A segunda edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) será aplicada neste domingo (13) sob uma pressão que vai além dos estudantes. Depois dos resultados ruins registrados por dezenas de cursos no primeiro exame, faculdades de medicina passaram a rever métodos de avaliação, ampliar atividades preparatórias e, em alguns casos, contratar cursinhos especializados.
O movimento ocorre após 107 cursos de medicina apresentarem desempenho considerado insatisfatório no Enamed de 2025. As notas 1 e 2 colocaram essas instituições em processos de supervisão do Ministério da Educação e, nos casos mais graves, levaram a restrições como redução de vagas e limitações no acesso a programas federais. Em agosto, o Superior Tribunal de Justiça restabeleceu as medidas cautelares adotadas pelo MEC.
A reação das faculdades, porém, tem provocado questionamentos entre estudantes e especialistas. Há instituições que aumentaram a média mínima exigida para aprovação, alteraram atividades pedagógicas e reforçaram exercícios voltados especificamente ao formato da prova. Em alguns casos, alunos recorreram à Justiça contra mudanças feitas durante o semestre.
Na Uniderp, em Campo Grande, por exemplo, a média mínima para progressão chegou a ser elevada de 6 para 7. Alunos também contestaram a redução de atividades com pacientes em favor de exercícios em laboratório e aulas preparatórias. A instituição afirma que revisou seu projeto pedagógico para fortalecer a avaliação contínua e confirmou a contratação de uma empresa especializada na preparação para o Enamed e provas de residência. Uma decisão judicial determinou temporariamente que os critérios anteriores fossem mantidos para aquele semestre.
O debate não está em reforçar ou não o estudo para uma avaliação nacional. O problema surge quando a preparação para a prova passa a ocupar espaço de atividades consideradas essenciais à graduação, como o atendimento supervisionado de pacientes e o internato. Especialistas ouvidos sobre as mudanças alertam que um desempenho melhor no exame não significa, necessariamente, que houve melhora equivalente na formação clínica.
Criado em 2025, o Enamed avalia se os estudantes de medicina desenvolveram as competências previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais. O exame também serve de base para avaliação dos cursos e pode ser utilizado no ingresso em programas de residência médica. A matriz inclui áreas como clínica médica, cirurgia, ginecologia e obstetrícia, pediatria, medicina de família, saúde mental e saúde coletiva.
Neste domingo, a prova será aplicada em todos os estados e no Distrito Federal. Os portões abrem ao meio-dia e fecham às 13h, no horário de Brasília, e o exame começa às 13h30. Os resultados dos concluintes e médicos já graduados estão previstos para 4 de dezembro.
A nova edição será, portanto, o primeiro teste para saber se as mudanças adotadas após o desempenho de 2025 produzirão efeito nas notas. O resultado mais difícil de medir, porém, continuará sendo outro: se essa reação das instituições conseguiu melhorar também a formação dos futuros médicos, e não apenas sua preparação para o exame.
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