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Agosto entra para a história com calor recorde no planeta

Mês ficou 1,65°C acima do nível pré-industrial e cenário pode ser agravado pelo fortalecimento do El Niño

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
11/09/2026 - 19:18
em Brasil

Agosto de 2026 entrou para a história do clima mundial. O mês foi o agosto mais quente já registrado e empatou com julho de 2023 como o período mensal de maior temperatura média global desde o início da série de dados utilizada pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia.

De acordo com o levantamento divulgado pelo Copernicus, a temperatura média da superfície do planeta chegou a 16,96°C em agosto. O valor ficou 0,85°C acima da média registrada entre 1991 e 2020 para o mesmo mês e 1,65°C acima da média estimada para o período pré-industrial, entre 1850 e 1900.

Na prática, agosto de 2026 ficou praticamente empatado com julho de 2023, quando a temperatura média mundial alcançou 16,95°C. A diferença entre os dois meses foi inferior a 0,01°C, razão pela qual o Copernicus considera os dois períodos tecnicamente empatados como os mais quentes já observados globalmente.

O resultado também chama atenção porque agosto normalmente é um pouco mais frio que julho na média mundial. Segundo o Copernicus, desde 1940 houve apenas quatro outros anos em que agosto terminou mais quente do que julho.

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O que significa 1,65°C acima do período pré-industrial?

O período pré-industrial, usado como referência nos estudos climáticos, corresponde aos anos de 1850 a 1900, antes do crescimento em larga escala da emissão de gases de efeito estufa provocada pela queima de carvão, petróleo e gás.

Agosto foi o primeiro mês desde novembro de 2025 em que a temperatura global voltou a ultrapassar em mais de 1,5°C essa referência histórica.

Isso, no entanto, não significa que o limite de 1,5°C estabelecido como referência no Acordo de Paris tenha sido definitivamente ultrapassado. Esse objetivo climático considera o aquecimento médio global durante um período mais longo, e não a temperatura registrada em um único mês.

Mesmo assim, a repetição de meses extremamente quentes é vista pelos especialistas como um sinal da velocidade das mudanças que estão acontecendo no sistema climático.

Oceanos também alcançam temperaturas recordes

O calor excepcional não ficou restrito aos continentes. Os oceanos também apresentaram temperaturas muito acima do normal.

A temperatura média da superfície dos oceanos fora das regiões polares chegou a 21,07°C em agosto, a maior já registrada para esse mês. O recorde anterior havia ocorrido em agosto de 2023, com 20,98°C.

Além disso, a média de agosto empatou com março de 2024 como a maior temperatura mensal já registrada nessas áreas oceânicas.

Nos dias 24 e 25 de agosto, a temperatura média diária dos mares fora das regiões polares chegou a 21,11°C, estabelecendo um novo recorde diário na série analisada pelo Copernicus.

O aquecimento dos oceanos é especialmente importante porque os mares armazenam grande parte do excesso de calor acumulado no sistema climático. Águas mais quentes podem influenciar a circulação atmosférica, aumentar a quantidade de umidade disponível e contribuir para alterações nos padrões de chuvas e tempestades.

Agosto também mostrou como um planeta mais quente não significa apenas temperaturas elevadas.

Enquanto algumas regiões enfrentaram seca prolongada, falta de umidade no solo e incêndios florestais, outras registraram chuvas acima da média e episódios de inundação.

O oeste da Europa terminou o verão de 2026 com a maior temperatura já registrada para a estação. Países e regiões da Europa também enfrentaram ondas de calor, seca e níveis excepcionalmente baixos em importantes rios.

Segundo o Copernicus, trechos dos rios Reno, Danúbio, Bug Meridional e Dniepre registraram vazões extremamente reduzidas durante o período. França, Reino Unido, Hungria, Romênia e Sérvia estiveram entre os locais atingidos por condições severas de seca.

Ao mesmo tempo, regiões da Península Ibérica, dos Alpes e do nordeste europeu tiveram chuvas acima da média, com registros de alagamentos locais.

Fora da Europa, agosto apresentou grandes diferenças entre as regiões. Partes dos Estados Unidos, México, Canadá, norte da África, Ásia, China, América do Sul, África do Sul e Austrália tiveram áreas mais secas que o normal. Já outras localidades, entre elas partes do leste dos Estados Unidos, Canadá, Rússia, China, Japão e sudeste do Brasil, registraram precipitação acima da média.

El Niño ganha força no Pacífico

Outro componente importante do atual cenário climático é o El Niño.

As águas do Pacífico Tropical estão excepcionalmente aquecidas e o fenômeno já está firmemente estabelecido, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). A expectativa é de fortalecimento nos próximos meses, podendo alcançar intensidade muito forte perto do fim de 2026.

A organização aponta uma probabilidade próxima de 100% de que o El Niño continue durante o período entre setembro e novembro de 2026 e também entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

O fenômeno ocorre quando as águas da região central e leste do Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal. Essa alteração interfere na circulação da atmosfera e pode modificar os padrões de temperatura e de chuva em diferentes partes do planeta.

Dependendo da região, seus efeitos podem incluir aumento do calor, períodos prolongados de seca ou volumes elevados de chuva. A OMM alerta que um El Niño muito forte pode aumentar o risco de eventos extremos e provocar impactos sobre agricultura, abastecimento de água, saúde e infraestrutura.

Mudança climática e El Niño atuam juntos

O El Niño é um fenômeno natural e já acontecia muito antes das atuais mudanças climáticas. Mas, agora, ele ocorre sobre uma base de temperaturas globais cada vez mais elevadas pela concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

O próprio Copernicus relaciona o recorde de agosto tanto ao aquecimento provocado pela queima de combustíveis fósseis quanto ao rápido aumento das temperaturas do Pacífico Equatorial associado ao El Niño.

Por isso, os próximos meses estão sendo acompanhados com atenção pelos centros meteorológicos internacionais.

A OMM afirma que o atual El Niño pode se tornar muito forte e produzir impactos sobre os padrões globais de temperatura e precipitação durante os próximos meses, com reflexos que podem continuar em 2027.

Um planeta cada vez mais quente

Os números de agosto reforçam uma tendência que vem se repetindo nos últimos anos: novos recordes de temperatura estão sendo registrados tanto na atmosfera quanto nos oceanos.

Além de ser o agosto mais quente da série histórica, o período entre junho e agosto de 2026 empatou com 2024 como o mais quente já observado globalmente para esses três meses.

A média global dos 12 meses entre setembro de 2025 e agosto de 2026 ficou 1,48°C acima da referência pré-industrial.

O cenário amplia a preocupação com ondas de calor, secas, incêndios e episódios de chuva extrema. Embora nenhum desastre isolado possa ser atribuído automaticamente à mudança climática sem uma análise específica, o aumento da temperatura global cria condições capazes de favorecer extremos mais intensos em diversas partes do mundo.

Com o El Niño ganhando força e os oceanos registrando temperaturas históricas, o fim de 2026 e o início de 2027 deverão ser acompanhados de perto pelos serviços meteorológicos. A combinação entre o fenômeno natural e um planeta já aquecido coloca o clima mundial diante de mais um período de atenção.

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Tags: #Agosto#AquecimentoGlobal#ClimaGlobal#Copernicus#ElNiño2026#Notícias#RecordeDeCalor
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