Uma carta com tom de despedida passou a fazer parte da investigação sobre o caso de Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, resgatada após ficar cinco dias desaparecida em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.
O documento foi localizado pela Polícia Militar durante a operação que terminou com a prisão do ex-companheiro da jovem e, posteriormente, com a descoberta do local onde ela estava.
Em um dos trechos, a mensagem dizia: “Espero não ser um adeus. Estarei sempre em espírito”. A carta, escrita à mão e assinada com o nome de Emiliane, era dirigida à família e fazia referência a bens e documentos pessoais.
Segundo o major Jorge Paiva, da Companhia de Policiamento Especializado (CPE), uma avaliação inicial da polícia indica que a jovem pode ter sido obrigada a assinar o documento.

O policial afirmou que a carta estava no bolso do suspeito quando ele foi abordado. As circunstâncias em que o texto foi produzido ainda são investigadas.
Ex-companheiro teve prisão mantida
Ailton Rodrigues foi preso em flagrante na sexta-feira (21). No sábado (22), ele passou por audiência de custódia e teve a prisão mantida pela Justiça.
A defesa, representada pelo advogado Ilvan Barbosa, informou que o inquérito ainda está em andamento e considerou prematuro apresentar uma conclusão sobre o mérito das acusações.
Emiliane recebeu atendimento médico depois do resgate, teve alta hospitalar e já está em casa.
Jovem estava desaparecida desde segunda-feira
De acordo com a Polícia Militar, a família comunicou o desaparecimento de Emiliane na segunda-feira (17). Ela havia sido vista por câmeras de segurança ao deixar uma clínica no Jardim Barragem I, em Águas Lindas de Goiás. Depois disso, os familiares perderam contato com a jovem.
Durante as buscas, os investigadores passaram a procurar também pelo ex-companheiro. Segundo a polícia, ele não era visto desde o mesmo dia do desaparecimento, havia fechado seu estabelecimento comercial e deixado a residência onde morava. A Polícia Civil informou ainda ter identificado registros anteriores relacionados a violência doméstica.
Na sexta-feira, policiais localizaram Ailton dirigindo um veículo. Segundo a PM, ele não obedeceu à ordem de parada e fugiu. O suspeito acabou abordado no Setor Jardim Querência.
Busca levou policiais até imóvel alugado
As diligências levaram a equipe até uma casa no Setor Jardim América III que, segundo a polícia, havia sido alugada pelo suspeito poucos dias antes.
O imóvel estava fechado. Depois de ouvirem barulhos vindos de dentro da residência, os policiais entraram e encontraram Emiliane em um dos quartos. Ela estava amordaçada e presa por cordas, algemas e corrente. Segundo a PM, a jovem também apresentava dificuldade para respirar.
Uma pistola calibre 9 milímetros foi apreendida no imóvel. A investigação tenta esclarecer toda a dinâmica do caso, incluindo como Emiliane foi levada para a residência e o que aconteceu durante os dias em que ficou desaparecida.
Polícia diz que suspeito admitiu ter dopado a jovem
Segundo a Polícia Civil, o suspeito relatou ter usado medicamentos para dopar a ex-companheira antes de levá-la para o imóvel. Esse depoimento e os demais elementos recolhidos durante a operação serão analisados no inquérito.
Após deixar o hospital, Emiliane também falou publicamente sobre o caso e relatou ter sofrido agressões durante o período em que permaneceu privada de liberdade. As declarações serão confrontadas com laudos, depoimentos e demais provas reunidas pela Polícia Civil.
Um dos pontos que agora chama a atenção dos investigadores é justamente a carta encontrada com o suspeito. Além do tom de despedida, o documento fazia referências a patrimônio e orientações dirigidas à família.
A apuração deverá esclarecer quem escreveu o conteúdo, quando o documento foi produzido e em quais circunstâncias Emiliane colocou sua assinatura no papel.
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