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Indústria busca apoio do governo antes de tarifa dos EUA entrar em vigor

Associações dos setores mais expostos à cobrança adicional de 25% discutem crédito, preservação de empregos e abertura de novos mercados.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
21/07/2026 - 14:44
em Mundo
Governo federal inicia reuniões com setores industriais afetados pela tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos, que entra em vigor em 22 de julho.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

O custo de entrada de diferentes produtos brasileiros no mercado norte-americano aumentará a partir desta quarta-feira (22).

Diante da proximidade da cobrança adicional de 25%, representantes da indústria iniciaram uma série de reuniões com o governo federal para tentar preservar encomendas, manter postos de trabalho e reduzir o risco de paralisação das fábricas mais dependentes das exportações.

A primeira rodada de encontros ocorre nesta terça-feira (21) e reúne associações empresariais, integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, representantes do Ministério da Fazenda e o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o MDIC.

A agenda deverá continuar na quarta-feira, quando a nova tarifa começa a ser aplicada nos Estados Unidos. A intenção é avaliar separadamente os efeitos sobre cada cadeia produtiva, já que o grau de exposição, a margem de lucro, o número de trabalhadores e a dependência do mercado norte-americano variam entre os setores.

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A decisão dos Estados Unidos foi tomada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial norte-americano, o USTR, com base na Seção 301 da legislação comercial do país. O processo analisou políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, aos pagamentos eletrônicos, às tarifas, à propriedade intelectual, ao etanol, ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal.

A tarifa será aplicada às mercadorias brasileiras que entrarem para consumo nos Estados Unidos a partir de 0h01 do dia 22 de julho, pelo horário da Costa Leste norte-americana.

O documento do USTR prevê uma regra transitória para determinadas cargas. Produtos embarcados antes do início da cobrança e que já estejam no trajeto final para os Estados Unidos poderão ficar fora da sobretaxa se forem apresentados para entrada no país antes de 29 de julho, desde que cumpram as condições estabelecidas.

A cobrança de 25% será acrescentada às tarifas que normalmente já incidem sobre cada mercadoria. Isso significa que o custo total poderá variar conforme a classificação do produto e as taxas anteriormente aplicadas.

Uma lista extensa de exceções foi mantida pelo governo norte-americano. O próprio USTR informou que considerou fatores como disponibilidade de fornecedores, risco de desabastecimento, impactos sobre a economia dos Estados Unidos e dificuldade de substituir determinados produtos brasileiros.

Estimativas divulgadas pelo governo brasileiro indicam que a nova medida deverá alcançar aproximadamente 18% das exportações destinadas aos Estados Unidos. Apesar de não atingir toda a pauta comercial, a tarifa se concentra em segmentos industriais nos quais a margem de adaptação costuma ser menor no curto prazo.

Entre as organizações chamadas para as reuniões estão a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos e a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

A Associação Brasileira de Rochas Naturais deverá participar das discussões na quarta-feira, mesmo dia em que a cobrança entrará em vigor.

Cada entidade deverá apresentar dados sobre exportações, contratos ameaçados, mercadorias em trânsito, estoques, capacidade de produção e número de trabalhadores potencialmente afetados.

As informações serão utilizadas para identificar quais segmentos necessitam de resposta mais imediata e quais instrumentos poderão ser aplicados sem a criação de benefícios desproporcionais ou de despesas permanentes para o governo.

Entre as alternativas mencionadas estão linhas de financiamento, garantias para operações de exportação, ajustes tributários temporários e apoio à abertura de mercados. Até o momento, porém, não existe um pacote definitivo específico para todos os setores atingidos.

Parte das mercadorias sujeitas à tarifa foi negociada antes da publicação da decisão norte-americana. Em alguns casos, os produtos já estavam em fabricação, armazenados para embarque ou sendo transportados quando a cobrança foi confirmada.

A definição de quem absorverá o novo custo dependerá das condições previstas nos contratos. O valor poderá ficar com o exportador brasileiro, ser repassado ao importador norte-americano ou ser dividido durante uma renegociação.

Quando o comprador não aceita o reajuste, a empresa brasileira pode precisar reduzir a própria margem para evitar o cancelamento. Essa alternativa, entretanto, torna-se insustentável quando o contrato já possuía rentabilidade limitada.

Também existe o risco de substituição dos fornecedores. Importadores poderão buscar produtos semelhantes em países que não estejam submetidos à mesma tarifa ou que possuam condições comerciais mais favoráveis.

Pequenas e médias empresas são consideradas especialmente vulneráveis. Muitas trabalham com poucos clientes internacionais, possuem acesso mais restrito ao crédito e não conseguem redirecionar rapidamente a produção para outro país.

Uma das possibilidades discutidas é o reforço do Plano Brasil Soberano, estrutura criada para auxiliar companhias atingidas por medidas tarifárias anteriores dos Estados Unidos.

O governo considera utilizar os instrumentos já existentes para conceder apoio financeiro a empresas e trabalhadores afetados pela nova cobrança. A definição deverá depender do diagnóstico apresentado durante as reuniões setoriais.

As medidas poderão priorizar empresas que comprovem perda de contratos, queda nas exportações ou risco concreto de demissões.

A equipe econômica também deverá avaliar a capacidade de cada companhia de buscar outros destinos para sua produção. O objetivo declarado é evitar que recursos públicos sejam utilizados apenas para sustentar negócios sem perspectivas de adaptação.

A diversificação das exportações tem sido apontada como uma das formas de diminuir os efeitos de barreiras comerciais. Estudos sobre tarifas anteriores mostram que o redirecionamento de mercadorias para outros países ajudou a limitar impactos sobre a balança comercial brasileira, embora a mudança não ocorra com a mesma facilidade em todos os setores.

Linhas emergenciais de financiamento poderiam oferecer capital de giro às empresas durante a redução temporária das vendas.

O dinheiro poderia ser utilizado para pagar fornecedores, manter trabalhadores, armazenar produtos e adaptar mercadorias às exigências de outros mercados.

Também poderá ser discutida a ampliação de garantias para os exportadores. Pequenas e médias empresas frequentemente encontram dificuldades para obter empréstimos durante momentos de incerteza, porque as instituições financeiras passam a considerar maior o risco de inadimplência.

Outra possibilidade é fortalecer o seguro de crédito à exportação, mecanismo destinado a reduzir os prejuízos quando compradores estrangeiros deixam de cumprir os contratos.

Qualquer auxílio deverá possuir critérios de acesso, prazo e contrapartidas. O governo precisará evitar que medidas emergenciais se transformem em subsídios permanentes ou beneficiem empresas que não foram efetivamente atingidas.

O setor de máquinas e equipamentos está entre os mais preocupados com a tarifa. Os Estados Unidos são um dos principais destinos dos bens de capital produzidos no Brasil, incluindo equipamentos agrícolas, máquinas para construção, componentes industriais e sistemas utilizados na transformação de plásticos.

A Abimaq argumenta que os norte-americanos mantêm superávit no comércio bilateral do setor. Dados apresentados pela entidade indicam que, em 2024, o Brasil exportou aproximadamente US$ 3,6 bilhões em máquinas para os Estados Unidos e importou cerca de US$ 4 bilhões em equipamentos norte-americanos.

Outro ponto destacado é a integração entre as empresas. Segundo a associação, cerca de 82% das exportações brasileiras do segmento para os Estados Unidos são realizadas entre companhias de um mesmo grupo econômico.

Nesse modelo, fábricas instaladas no Brasil fornecem equipamentos ou componentes a matrizes e subsidiárias localizadas em território norte-americano. A tarifa poderá, portanto, elevar os custos de empresas dos próprios Estados Unidos e modificar decisões sobre investimentos.

A indústria também teme perder espaço para fabricantes asiáticos. Caso os equipamentos brasileiros fiquem significativamente mais caros, importadores poderão buscar fornecedores chineses ou de outros mercados.

A indústria calçadista deverá apresentar ao governo informações sobre pedidos, contratos e regiões produtoras mais expostas.

Os Estados Unidos são historicamente um dos principais destinos dos calçados brasileiros. A nova cobrança poderá atingir justamente um período no qual as empresas tentavam recuperar vendas no mercado norte-americano.

A Abicalçados avalia que a medida gera insegurança tanto para os exportadores quanto para os compradores dos Estados Unidos. A entidade também alerta para o risco de os produtos brasileiros perderem competitividade para fabricantes asiáticos.

Os efeitos poderão ser sentidos principalmente nos municípios que concentram fábricas e fornecedores de componentes, solados, couro, embalagens e serviços.

Uma redução prolongada nas encomendas pode resultar em diminuição de turnos, férias coletivas, suspensão de investimentos e cortes de trabalhadores.

A abertura de outros mercados é possível, mas exige tempo. Fabricantes precisam localizar distribuidores, participar de feiras, ajustar coleções e cumprir normas de qualidade e etiquetagem específicas de cada país.

A indústria têxtil e de confecção reúne empresas de diferentes tamanhos, desde grandes fabricantes de fibras e tecidos até pequenas unidades responsáveis pela produção de roupas.

O impacto sobre as exportações poderá se espalhar por fornecedores de matéria-prima, tinturarias, confecções, transportadoras e empresas de embalagem.

Além da redução das vendas externas, existe a possibilidade de parte dos produtos permanecer no mercado brasileiro. Um aumento rápido da oferta interna pode pressionar preços e reduzir a rentabilidade de uma cadeia que já enfrenta forte concorrência de artigos importados.

A Abit deverá discutir mecanismos de preservação da capacidade produtiva e medidas que permitam às empresas buscar compradores em outras regiões.

O setor também deverá acompanhar a investigação norte-americana sobre mercadorias produzidas com trabalho forçado, uma vez que a proposta inclui um mecanismo específico para produtos têxteis e de vestuário.

A indústria automotiva será representada nas reuniões pela Anfavea.

O impacto dependerá da classificação de cada veículo, peça ou equipamento. Parte dos produtos automotivos já é alcançada por outras medidas tarifárias norte-americanas e aparece entre as exceções previstas na nova decisão da Seção 301.

Mesmo quando uma mercadoria não recebe diretamente a cobrança adicional, os efeitos poderão alcançar fornecedores e fabricantes ligados à mesma cadeia.

A produção de veículos depende de redes internacionais nas quais peças, componentes, máquinas e matérias-primas atravessam diferentes países antes da montagem final.

Alterações nas tarifas podem modificar custos, contratos e decisões sobre a localização de novas fábricas.

As empresas deverão avaliar se manterão determinadas exportações a partir do Brasil ou se reorganizarão o fornecimento por meio de unidades instaladas em outros mercados.

O setor de rochas naturais obteve a manutenção de uma exceção importante. O código que inclui os quartzitos brasileiros não foi incorporado à tarifa adicional de 25%.

Mármores, granitos, ardósias e outros materiais, entretanto, continuam sujeitos à cobrança. A Centrorochas alerta que o impacto será especialmente relevante para pequenas e médias empresas.

Os Estados Unidos são o principal mercado internacional das rochas brasileiras. Os produtos são utilizados principalmente em bancadas, pisos, revestimentos e projetos residenciais e comerciais.

Como o transporte envolve materiais pesados e grandes volumes, os custos logísticos já representam parcela significativa do preço. A tarifa adiciona uma nova despesa ao importador e poderá comprometer determinadas encomendas.

A entidade deverá apresentar informações sobre contêineres em trânsito, contratos em negociação e a exposição dos estados produtores, especialmente o Espírito Santo.

O setor também argumenta que importadores, distribuidores e empresas de construção norte-americanas poderão ser prejudicados pela elevação dos custos dos materiais.

A preocupação central do governo será evitar que a perda de contratos resulte rapidamente em demissões.

Empresas exportadoras planejam a produção com antecedência e compram matérias-primas de acordo com os pedidos recebidos. Quando uma encomenda é cancelada, parte dessa estrutura pode ficar ociosa.

Os impactos atingem não apenas a fábrica responsável pela exportação. Fornecedores de peças, embalagens, serviços portuários, transporte e armazenagem também podem registrar queda na demanda.

Municípios dependentes de uma atividade industrial específica ficam ainda mais expostos. A redução da produção afeta a renda das famílias, o comércio e a arrecadação local.

As associações deverão informar quantos trabalhadores estão vinculados às linhas destinadas ao mercado norte-americano e qual seria o prazo para o início de possíveis cortes.

A busca por novos mercados deverá integrar a resposta de médio prazo.

Países da América Latina, da Europa, da África e do Oriente Médio podem oferecer oportunidades para parte dos produtos brasileiros. A entrada nesses destinos, porém, depende da existência de demanda, preços competitivos e acordos comerciais.

Também podem ser necessárias certificações, adaptações técnicas, mudanças nas embalagens e criação de redes de distribuição.

Empresas que fabricam produtos sob encomenda enfrentam dificuldade adicional. Uma máquina desenvolvida para um cliente norte-americano, por exemplo, pode não encontrar outro comprador com as mesmas necessidades.

O apoio público poderá incluir participação em feiras, missões empresariais, promoção comercial e identificação de compradores por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.

Enquanto o Brasil tenta administrar a tarifa de 25%, outra investigação norte-americana poderá gerar uma cobrança adicional.

O USTR concluiu que dezenas de economias não possuem ou não aplicam de maneira suficiente proibições contra a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Para esses países, entre eles o Brasil, foi proposta uma tarifa de 12,5%.

A medida ainda estava em fase de análise e não deveria ser tratada como uma tarifa definitivamente aplicada. O representante comercial dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira que novas ações relacionadas ao tema deverão ser anunciadas em breve.

Caso seja confirmada, será necessário esclarecer como a nova cobrança será combinada com a tarifa de 25% já imposta ao Brasil.

A possibilidade de acumulação poderia elevar a tributação adicional de alguns produtos a 37,5%, além das tarifas regulares de importação.

A investigação também aumenta a cobrança por mecanismos de rastreabilidade. Empresas poderão precisar demonstrar a origem das matérias-primas e as condições de trabalho presentes em todas as etapas da cadeia produtiva.

O governo brasileiro pretende manter o diálogo com Washington para buscar a revisão da medida e a inclusão de outros produtos na lista de exceções.

Um dos argumentos será o impacto sobre as empresas norte-americanas que dependem de insumos, peças ou equipamentos fabricados no Brasil.

O governo também deverá destacar que a relação comercial envolve cadeias integradas e investimentos realizados ao longo de décadas.

Paralelamente, o Brasil avalia instrumentos como a Lei da Reciprocidade Econômica e possíveis questionamentos nos organismos internacionais. A adoção dessas medidas dependerá de decisões políticas e da avaliação dos efeitos sobre os próprios consumidores e produtores brasileiros.

Para as empresas, porém, a urgência é mais imediata. A partir desta quarta-feira, as mercadorias não incluídas nas exceções enfrentarão uma barreira maior para entrar nos Estados Unidos.

As reuniões iniciadas nesta terça deverão mostrar quais cadeias produtivas possuem capacidade para absorver o impacto e quais precisam de apoio emergencial.

O desafio será construir uma resposta que preserve empregos e empresas sem adiar indefinidamente a necessidade de adaptação. No curto prazo, a prioridade será manter contratos e linhas de produção. Nos próximos meses, o objetivo será reduzir a dependência do mercado norte-americano e tornar as exportações brasileiras menos vulneráveis a novas mudanças comerciais.

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Tags: #Calçados#ComércioExterior#Empregos#EstadosUnidos#exportações#GeraldoAlckmin#indústriabrasileira#Máquinas#RochasNaturais#SetorTêxtil#tarifaço
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