O Parque Nacional da Tijuca, um dos mais importantes patrimônios naturais do Rio de Janeiro, comemora neste sábado (11) seus 65 anos de criação com uma programação especial aberta ao público.
Das 8h às 16h, visitantes poderão participar gratuitamente de atividades de lazer, educação ambiental, cultura, esporte e serviços de saúde em diferentes pontos da unidade de conservação.
As atrações estarão concentradas em dois espaços do setor Floresta da Tijuca, no bairro Alto da Boa Vista. Um dos polos será o estacionamento da Cascatinha Taunay, próximo à entrada principal do parque, onde também estão localizados atrativos como a tradicional cascata e o poço de banho Job de Alcântara.
Nesse local, o público poderá participar de uma trilha histórica conduzida pelo pesquisador Gabriel Sales, além de aulas de ioga, sessões de massagem, vacinação, testes rápidos de saúde, aferição de pressão arterial e glicemia. A Prefeitura do Rio também disponibilizará uma unidade móvel do serviço 1746 para receber solicitações, reclamações e sugestões dos moradores.
O segundo ponto da programação será no Recanto dos Pintores e no Centro de Visitantes Paineiras. Idosos e pessoas com mobilidade reduzida terão acesso a passeios de van por pontos turísticos como a Vista Chinesa e a Mesa do Imperador. Crianças de até 10 anos poderão participar de atividades em uma pista de mountain bike montada especialmente para o evento.
A programação inclui ainda a feira Alto Portas Abertas, reunindo artistas e empreendedores do Alto da Boa Vista, além de estandes do 1º Grupamento de Socorro Florestal e Meio Ambiente do Corpo de Bombeiros, trilhas guiadas por monitores ambientais e atividades promovidas pelo Instituto Moleque Mateiro.
O público infantil contará com apresentações teatrais voltadas à educação ambiental, pintura facial inspirada na fauna da Mata Atlântica e oficinas de bioescultura utilizando argila, folhas, galhos, tecidos e outros elementos naturais.
Também estão previstas experiências de contato com a natureza, como sessões de banho de floresta, prática de Tai Chi Chuan e palestras sobre convivência segura com animais peçonhentos. Outro destaque será o mutirão do Programa de Voluntariado, que realizará a remoção de espécies exóticas invasoras e o plantio de mudas nativas da Mata Atlântica.
Criado oficialmente em 6 de julho de 1961, inicialmente com o nome de Parque Nacional do Rio de Janeiro, o espaço passou a reunir áreas do Maciço da Tijuca, incluindo as florestas da Tijuca, Paineiras, Corcovado, Gávea Pequena, Trapicheiro, Andaraí, Três Rios e Covanca. Em 1967, a unidade recebeu a denominação atual de Parque Nacional da Tijuca.
Em 2004, os limites do parque foram ampliados de 33 para 39,51 quilômetros quadrados, incorporando áreas como o Parque Lage, a Serra dos Pretos Forros e o Morro da Covanca.
A história da preservação da região começou ainda no período imperial. Em 1861, áreas da Tijuca e das Paineiras foram transformadas em Florestas Protetoras para conter o desmatamento provocado pela expansão das plantações de café, cana-de-açúcar e pela exploração de madeira.
O reflorestamento deu origem a um dos maiores projetos de recuperação ambiental do país. Além de trabalhadores assalariados, a iniciativa contou com a atuação de 11 pessoas negras escravizadas — Maria, Eleutério, Constantino, Manoel, Mateus, Leopoldo, Sabino, Macário, Clemente, Antônio e Francisco — responsáveis pelo plantio de mais de 100 mil árvores nativas e pela recuperação de importantes mananciais que abasteciam a então capital brasileira.
Em reconhecimento a essa contribuição histórica, os nomes desses trabalhadores passaram a integrar uma placa instalada nas proximidades do Centro de Visitantes do parque.
Ao longo das décadas, a unidade recebeu novos investimentos, incluindo a construção dos restaurantes Esquilos, Floresta e Cascatinha, melhorias na infraestrutura viária e projetos paisagísticos assinados por Roberto Burle Marx.
A comemoração dos 65 anos reforça a importância histórica, ambiental e cultural do Parque Nacional da Tijuca, considerado a maior floresta urbana replantada do mundo e um dos principais símbolos da preservação da Mata Atlântica no Brasil.
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