O comportamento exemplar dos torcedores japoneses ao recolher o próprio lixo após as partidas de futebol é admirado em todo o mundo.
No entanto, um estudo recente revela um contraste significativo dentro dos lares do país: embora a responsabilidade coletiva com os espaços públicos seja uma marca da cultura japonesa, a divisão das tarefas domésticas ainda apresenta uma das maiores desigualdades entre homens e mulheres entre as nações desenvolvidas.
A imagem dos torcedores da seleção do Japão limpando as arquibancadas voltou a ganhar destaque durante a Copa do Mundo de 2026 e chamou novamente a atenção após o confronto contra o Brasil, realizado nesta segunda-feira (29). A atitude, repetida em diferentes competições internacionais, tornou-se símbolo de respeito ao patrimônio público e de consciência coletiva.
Apesar desse reconhecimento internacional, um levantamento da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado no relatório Gender Equality in a Changing World, de 2025, mostra que a realidade dentro das residências japonesas é bastante diferente.
Segundo o estudo, os homens japoneses dedicam, em média, apenas 47 minutos por dia às tarefas domésticas e aos cuidados não remunerados, como limpar a casa, cozinhar, fazer compras e cuidar de crianças ou familiares. Já as mulheres gastam cerca de 208 minutos diários com essas atividades, o equivalente a aproximadamente quatro vezes e meia mais tempo.
Os números colocam o Japão na última posição entre os países membros da OCDE quando o assunto é a divisão equilibrada do trabalho doméstico não remunerado entre homens e mulheres.
De acordo com a organização, apesar do elevado nível de desenvolvimento econômico do país, a distribuição das responsabilidades dentro das famílias continua bastante desigual. O relatório destaca que o trabalho doméstico e de cuidados é essencial para o funcionamento da sociedade, mas segue concentrado, em sua maioria, nas mulheres, refletindo um desafio persistente para a igualdade de gênero no cotidiano japonês.
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