Uma pesquisa do Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes (Gracias), da Universidade de São Paulo (USP), revelou um cenário preocupante sobre a violência e discriminação contra mulheres muçulmanas no Brasil.
O estudo analisou depoimentos de 328 mulheres de diferentes origens e vertentes do Islã e identificou que a maioria das entrevistadas já relatou ter sido alvo de ataques motivados por islamofobia. Segundo os pesquisadores, os casos atingem principalmente brasileiras convertidas à religião.
Para compreender melhor os padrões de discriminação, as participantes foram divididas em grupos distintos ao longo da pesquisa. Os dados indicam que a percepção de preconceito é recorrente e aparece em diferentes contextos do cotidiano.
Os relatos apontam ocorrências de agressões e ofensas em espaços públicos, no ambiente de trabalho e também no meio digital.
Muitas das entrevistadas afirmaram sofrer impactos emocionais significativos após as situações, incluindo ansiedade, depressão e dificuldades de inserção ou permanência no mercado de trabalho.
O ambiente virtual foi destacado como um dos principais espaços de propagação de discursos de ódio, especialmente em redes sociais. De acordo com os pesquisadores, a exposição constante e a identidade religiosa contribuem para a vulnerabilidade dessas mulheres.
O levantamento também aponta que a subnotificação é um problema recorrente, já que muitos casos não são formalmente denunciados, o que dificulta o dimensionamento real da violência.
As autoras do estudo defendem a ampliação do debate público sobre intolerância religiosa e a criação de mecanismos mais eficazes de proteção e denúncia.
As plataformas digitais mencionadas na pesquisa afirmam adotar políticas contra discurso de ódio, com sistemas de denúncia e remoção de conteúdos que violem suas diretrizes.
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