O avanço do degelo na Antártica voltou a acender o alerta entre cientistas e organismos internacionais ligados ao clima. Relatórios do sistema ONU e do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, apontam que a perda de gelo no continente antártico pode acelerar a elevação do nível do mar e provocar mudanças importantes na circulação dos oceanos e da atmosfera.
A Antártica concentra a maior reserva de gelo do planeta. Quando grandes áreas de gelo terrestre derretem ou se desprendem em direção ao oceano, o volume de água nos mares aumenta. Esse processo já contribui para a elevação global do nível do mar e preocupa principalmente cidades costeiras, ilhas, áreas portuárias e regiões sujeitas a ressacas e inundações.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o nível médio dos oceanos segue em tendência de alta acelerada. A elevação é provocada pela expansão térmica da água, causada pelo aquecimento dos mares, e pela perda de gelo em geleiras e grandes mantos de gelo, como os da Groenlândia e da Antártica.
Os efeitos não se limitam ao aumento do mar. O degelo também pode interferir nas correntes oceânicas, alterar a temperatura da superfície do mar e modificar a formação de massas de ar frio. Essas mudanças podem afetar a dinâmica das frentes frias, especialmente no Hemisfério Sul, com reflexos sobre chuvas, ondas de frio, tempestades e eventos climáticos extremos.
No Brasil, especialistas observam que alterações na circulação atmosférica e oceânica podem influenciar a chegada de frentes frias ao Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Embora cada evento dependa de vários fatores, o aquecimento global amplia a instabilidade do sistema climático e aumenta o risco de extremos, como períodos de chuva intensa, estiagens prolongadas e mudanças bruscas de temperatura.
Outro ponto de preocupação é a perda de gelo marinho ao redor da Antártica. Apesar de o gelo flutuante não elevar diretamente o nível do mar quando derrete, ele funciona como uma barreira natural que ajuda a proteger geleiras continentais. Com menos gelo marinho, áreas de gelo terrestre podem ficar mais expostas ao aquecimento dos oceanos e ao avanço das ondas.
Cientistas alertam que parte das mudanças na criosfera, nome dado às regiões congeladas do planeta, pode durar séculos ou até milênios. Por isso, a redução das emissões de gases de efeito estufa é considerada essencial para limitar os impactos futuros.
A recomendação dos organismos internacionais é ampliar o monitoramento da Antártica, fortalecer políticas de adaptação em áreas costeiras e acelerar medidas de combate ao aquecimento global. O alerta é claro: o que acontece no continente gelado pode afetar diretamente o clima, o mar e a vida de milhões de pessoas em todo o planeta.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












