A reportagem, publicada nesta terça-feira, dia 9, afirma que recursos milionários teriam sido destinados a um fundo offshore relacionado ao longa-metragem.
Daniel Vorcaro é acusado de comandar a maior fraude financeira da história do Brasil. De acordo com o material revelado pelo Intercept, parte das movimentações envolvendo empresas associadas ao ex-banqueiro teria como destino a produção do filme, que passou a chamar atenção também por possíveis conexões com outras investigações em andamento.
Um dos principais documentos citados pela reportagem é um comprovante de transferência internacional via SWIFT. O registro indicaria o envio de US$ 2 milhões pela Entre Investimentos e Participações para o fundo offshore Havengate, apontado como um dos veículos financeiros usados para bancar a produção de “Dark Horse”.
O fundo Havengate também é investigado pela Polícia Federal em outra frente de apuração. As autoridades buscam esclarecer se a estrutura foi utilizada para financiar despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
A suspeita coloca o fundo no centro de uma investigação que envolve recursos internacionais, produção audiovisual e possíveis gastos políticos fora do país.

Segundo o The Intercept Brasil, a Entre Investimentos e Participações mantinha uma relação operacional com Daniel Vorcaro. As partes, no entanto, negam formalmente qualquer vínculo societário, de controle ou de governança.
A reportagem afirma ter se baseado em documentos internos e em informações publicadas anteriormente por veículos como Metrópoles e Estadão.
Além do comprovante de transferência, o Intercept diz ter obtido planilhas de pagamento e contratos que ajudariam a dimensionar a relação entre o ex-banqueiro e o projeto cinematográfico. Um dos documentos mencionados registraria uma operação de quase US$ 24 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões pela cotação da época.
A planilha detalharia aportes previstos e valores efetivamente recebidos pelo fundo vinculado à produção do filme.
Para o portal, esse material sugere que os repasses financeiros podem ter sido superiores aos montantes conhecidos inicialmente.
O documento teria aparecido em uma troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e o empresário Thiago Miranda. Em 7 de agosto de 2025, Miranda teria informado a Vorcaro que havia duas parcelas em atraso e uma terceira próxima do vencimento naquele mês. A resposta atribuída ao ex-banqueiro teria sido: “Segunda fazemos duas”.

Para o The Intercept Brasil, a mensagem é relevante porque indicaria que novos pagamentos estavam sendo discutidos naquele período.
A interpretação do portal é que o total desembolsado pode ter ultrapassado os US$ 10,6 milhões mencionados na primeira reportagem sobre o caso.
As novas revelações colocam a produção de “Dark Horse” em uma posição ainda mais sensível dentro das apurações sobre a origem e o destino de recursos ligados a Daniel Vorcaro.
A investigação jornalística levanta questionamentos sobre o caminho do dinheiro, a atuação de empresas intermediárias e o uso de estruturas offshore para financiar o projeto audiovisual.
Até o momento, as partes citadas negam vínculo formal de controle, participação societária ou governança.
As informações, porém, devem seguir sob análise das autoridades e podem abrir novas frentes de investigação sobre eventuais conexões financeiras entre o grupo empresarial associado a Vorcaro, o fundo Havengate e a produção do filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
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