O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou na sexta-feira (5) que os Estados Unidos tentam impor uma narrativa para apresentar o país caribenho como um “Estado falido” e responsabilizá-lo por dificuldades que, segundo ele, são agravadas pelo bloqueio econômico imposto a Havana.
A declaração foi feita durante a cerimônia pelos 65 anos de criação do Ministério do Interior cubano. No discurso, Díaz-Canel classificou como “cínica” a tentativa de inverter a origem dos problemas enfrentados pela ilha.
Segundo o mandatário, a permanência prolongada do bloqueio é uma das maiores crueldades contra Cuba. Para ele, além das restrições econômicas, há uma disputa narrativa para ocultar os efeitos das medidas adotadas por Washington.
Díaz-Canel afirmou que Cuba não ignora suas próprias falhas internas, mas sustentou que nenhum Estado consegue funcionar plenamente quando enfrenta obstáculos para importar alimentos, medicamentos, combustíveis e peças de reposição. Ele também citou dificuldades de acesso a financiamentos internacionais e créditos comerciais.
O presidente cubano descreveu as medidas dos Estados Unidos como uma forma de “punição coletiva” contra a população. Na avaliação dele, o objetivo seria pressionar a ilha a abandonar sua independência política e aceitar uma condição de subordinação.
“Cuba não se rende. Cuba insiste e resiste”, resumiu o líder cubano ao defender que o país continua enfrentando dificuldades sem abrir mão de sua soberania.
Tensão entre Havana e Washington
As declarações ocorrem em meio a uma nova escalada de tensão entre Cuba e Estados Unidos. Em janeiro, o presidente norte-americano Donald Trump assinou uma ordem executiva declarando emergência nacional diante de uma suposta ameaça atribuída a Cuba.
O texto da Casa Branca acusa o governo cubano de manter alinhamento com países considerados hostis por Washington, além de supostamente abrigar grupos classificados como terroristas e permitir a presença de capacidades militares e de inteligência ligadas à Rússia e à China.
Com base nessas alegações, os Estados Unidos anunciaram novas medidas de pressão, incluindo tarifas contra países que vendam petróleo à ilha. A decisão amplia o cerco econômico contra Havana e ameaça governos e empresas que mantenham relações consideradas contrárias à política norte-americana.
Em maio, o governo dos Estados Unidos também avançou com sanções contra integrantes do gabinete de Díaz-Canel. A medida foi apresentada por Washington como parte de uma estratégia de pressão contra o governo cubano, enquanto Havana classificou a ação como mais uma tentativa de intervenção nos assuntos internos do país.
Para o governo cubano, as medidas norte-americanas fazem parte de uma política histórica de asfixia econômica e isolamento diplomático. Já os Estados Unidos sustentam que suas ações são direcionadas ao regime cubano e vinculadas a questões de segurança, direitos humanos e política externa.
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