As autoridades sanitárias dos Estados Unidos confirmaram o reaparecimento da mosca-da-bicheira do Novo Mundo, uma das pragas mais temidas pela pecuária.
Os primeiros casos foram identificados em dois bezerros no estado do Texas, marcando o retorno da espécie ao país após cerca de seis décadas sem registros oficiais.
De acordo com informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o primeiro foco foi detectado em um bezerro de apenas três semanas de idade no condado de Zavala.
Dias depois, um segundo caso foi confirmado em outro animal localizado a aproximadamente nove quilômetros da área inicial de ocorrência.
A mosca-da-bicheira é considerada uma ameaça significativa para a produção pecuária devido ao seu ciclo de reprodução.
A espécie deposita ovos em ferimentos abertos de animais de sangue quente e, após a eclosão, as larvas passam a se alimentar de tecidos vivos, ampliando as lesões e aumentando o risco de infecções graves.
Especialistas destacam que a praga possui uma característica incomum em relação à maioria das moscas: suas larvas não se desenvolvem em matéria orgânica em decomposição, mas em tecidos saudáveis dos hospedeiros, o que pode causar danos severos aos animais afetados.
O reaparecimento da espécie ocorre em um momento delicado para a pecuária norte-americana. Em 2025, o rebanho bovino dos Estados Unidos atingiu o menor nível dos últimos 75 anos, cenário influenciado por longos períodos de seca, redução da oferta de animais e aumento dos custos de produção.
Como consequência, os preços da carne bovina registraram forte valorização.
Para impedir a expansão da infestação, o USDA anunciou a criação de uma área especial de controle sanitário e intensificou a liberação de moscas estéreis, técnica amplamente utilizada em programas de erradicação da praga. O método reduz gradualmente a reprodução da espécie e ajuda a conter sua disseminação.
As autoridades também alertaram para a possibilidade de infestação em seres humanos, embora os casos sejam considerados raros.
Pessoas que apresentarem feridas com sintomas incomuns ou suspeita de contato com a praga devem procurar atendimento médico imediatamente.
Apesar da preocupação sanitária, o governo norte-americano ressaltou que não há riscos para o abastecimento de alimentos.
Segundo o USDA, a mosca-da-bicheira não contamina carne bovina, frutas, vegetais ou outros produtos destinados ao consumo humano.
O avanço das medidas de vigilância e controle será acompanhado de perto pelas autoridades sanitárias, que buscam evitar impactos econômicos mais amplos para a pecuária e para o setor agropecuário dos Estados Unidos.
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